Zepto capta US$ 400 milhões e mira IPO no próximo ano

Zepto capta US$ 400 milhões em uma rodada de investimento que eleva sua avaliação para cerca de US$ 7 bilhões e reforça a disputa no aquecido mercado indiano de quick commerce. O aporte foi liderado pelo fundo de pensão norte-americano California Public Employees Retirement System (CalPERS), que faz uma rara aposta direta em startup fora dos Estados Unidos.
A operação, composta por recursos primários e secundários, contou ainda com a participação dos atuais acionistas Avenir, Avra, Lightspeed, Glade Brook, The Stepstone Group e Nexus Venture Partners. Com o novo capital, a empresa pretende abrir capital em bolsa no ano que vem, segundo afirmou seu cofundador e presidente-executivo, Aadit Palicha.
Zepto capta US$ 400 milhões e mira IPO no próximo ano
Fundada em 2021, a Zepto compete com gigantes como Blinkit (controlada pela Eternals, ex-Zomato), Swiggy Instamart e BigBasket, do conglomerado Tata. A companhia vinha em ritmo intenso de captação: apenas no ano passado, arrecadou cerca de US$ 1,3 bilhão em múltiplas rodadas. Desde a última injeção de recursos, em novembro de 2024, o cenário mudou: a Swiggy abriu capital na bolsa indiana e a Blinkit ultrapassou a Zomato em valor bruto de pedidos no primeiro trimestre de 2025.
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Os rivais não se restringem às plataformas especializadas em entregas ultrarrápidas. Players tradicionais de comércio eletrônico, como Amazon e Flipkart, já oferecem serviços para levar mantimentos em minutos. Também surgem startups focadas em nichos, caso da Swish e da Zing, voltadas para alimentação; da Nykaa, Myntra e Silkk, que prometem roupas em até uma hora; ou da Snabbit, que agenda serviços domésticos em dez minutos.
Em meio a esse ambiente, Palicha garante que a Zepto mantém um ritmo robusto de crescimento. “Saltamos de 500 mil para 1,7 milhão de pedidos diários nos últimos cinco trimestres e continuamos rentabilizando nossos dark stores”, disse ao TechCrunch. Segundo ele, mais de 10 milhões de usuários transacionam mensalmente na plataforma, enquanto a empresa amplia a rede de lojas para além dos grandes centros.
Atualmente, a Zepto opera mais de 1.000 unidades em mais de 80 cidades indianas. O objetivo é adicionar “centenas” de pontos de distribuição nos próximos 12 meses. Embora os grandes polos urbanos concentrem a maior parte das vendas, cerca de 20% dos pedidos já vêm de municípios menores — sinal de que a penetração do quick commerce vai além das metrópoles.
O mercado, de fato, mostra perspectivas otimistas. Relatório do Morgan Stanley prevê que o segmento de entregas ultrarrápidas na Índia pode atingir US$ 42 bilhões até 2030. Já analistas da Bernstein estimam um potencial de US$ 100 bilhões dentro de dez anos, ressaltando que, nos centros mais disputados, o formato já se consolida como principal canal de compra de mantimentos.
Para sustentar a expansão, a Zepto precisa equilibrar investimentos em aquisição de clientes e abertura de lojas com rentabilidade operacional. De acordo com Palicha, a empresa vem transformando seus dark stores em unidades lucrativas mesmo enquanto acelera o crescimento. A estratégia inclui suspensão temporária de projetos, como o Zepto Café — pausado em 44 cidades por falta de mão de obra suficiente —, para concentrar esforços nos serviços de maior retorno.

Imagem: Internet
O aporte da CalPERS chama atenção porque a gestora costuma investir em venture capital por meio de fundos, e não liderar rodadas diretamente. Desde 2022, porém, a entidade aumentou a exposição ao setor, passando de US$ 800 milhões para uma meta de US$ 5 bilhões. Entrar como principal investidora na Zepto indica confiança institucional no potencial do quick commerce indiano e, possivelmente, maior apetite da CalPERS por participações diretas em mercados emergentes.
Além de reforçar o caixa, a nova rodada posiciona a Zepto para o seu próximo marco: o IPO. A empresa não revelou prazos exatos, mas Palicha confirmou que o processo de abertura de capital deve ser iniciado em 2026, aproveitando o momento de consolidação do setor e a tração nos indicadores de demanda e lucratividade.
Com o aporte liderado pela CalPERS, crescimento acelerado e planos de expansão nacional, a Zepto sobe mais um degrau na corrida pelo domínio das entregas em poucos minutos na Índia. Resta ver se a startup conseguirá manter o ritmo de rentabilidade frente à forte concorrência de gigantes locais e internacionais.
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Crédito da imagem: TechCrunch
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