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Robotáxis em Nova York ganham aval do governo estadual

Robotáxis em Nova York podem se tornar realidade em grande parte do estado ainda em 2024, após o anúncio da governadora Kathy Hochul de que enviará à Assembleia Legislativa um projeto para autorizar o serviço fora da cidade de Nova York.

O pronunciamento ocorreu nesta terça-feira (9) durante o discurso anual “State of the State” e marca a fase seguinte do programa piloto de veículos autônomos (AV) conduzido pelo Departamento de Veículos Motorizados (DMV) do estado. Embora o texto definitivo só deva ser apresentado no orçamento executivo, agendado para 20 de janeiro, o gabinete da governadora divulgou um documento-guia com os principais pontos da proposta.

Robotáxis em Nova York ganham aval do governo estadual

Segundo o material preliminar, a iniciativa ampliará o programa atual de AV para permitir o desdobramento limitado de serviços comerciais de transporte de passageiros autônomos em todo o território estadual, exceto na metrópole nova-iorquina. Empresas interessadas precisarão comprovar apoio local e aderir aos “mais altos padrões possíveis de segurança”, expressão que ainda carece de parâmetros objetivos.

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O projeto estabelece que as solicitações de operação sejam avaliadas por um consórcio de órgãos públicos — DMV, Departamento de Transporte e Polícia do Estado de Nova York. O grupo ficará responsável por checar relatórios de desempenho, métricas de segurança e a capacidade de resposta das companhias em casos de emergência.

Embora a governadora não tenha detalhado quais indicadores serão usados, a sinalização política foi suficiente para entusiasmar a Waymo, subsidiária da Alphabet. “A proposta da governadora Hochul para legalizar veículos totalmente autônomos é um momento transformador para o sistema de transporte de Nova York”, declarou Justin Kintz, vice-presidente de políticas públicas globais da empresa, em comunicado encaminhado à imprensa.

Para Kintz, a combinação entre a tecnologia da Waymo e as políticas de redução de velocidade, fiscalização de trânsito e pedágio urbano já adotadas pelo estado criará “uma Nova York mais segura, acessível e eficiente”. Ele afirmou que a companhia pretende colaborar com autoridades locais para levar “infraestrutura, empregos e investimentos” ao estado.

Hoje, a legislação nova-iorquina exige que motoristas mantenham ao menos uma mão no volante, regra incompatível com veículos sem condutor. A norma tem sido driblada por meio de autorizações excepcionais concedidas dentro do programa piloto. Ainda assim, obstáculos persistem, sobretudo na cidade de Nova York.

Em agosto passado, o órgão municipal Taxi and Limousine Commission (TLC) liberou a Waymo a testar até oito unidades do Jaguar I-Pace elétrico em Manhattan e no Brooklyn, sempre com um operador humano de segurança a bordo. A permissão foi prorrogada até 31 de março, mas não autoriza o transporte remunerado de passageiros nem a ausência total de condutor.

Um projeto de lei específico para criar um marco regulatório de operação sem motorista chegou ao Senado estadual em 2023, porém segue parado na Comissão de Transportes. Analistas do setor avaliam que a iniciativa de Hochul pode destravar a tramitação, ao oferecer um desenho mais amplo de governança para os robotáxis.

Questões como responsabilidade civil, compartilhamento de dados de tráfego e integração com seguradoras ainda precisam ser definidas. O texto a ser encaminhado ao Legislativo deverá traçar diretrizes sobre monitoramento em tempo real, exigências de atualização de software e penalidades para falhas de segurança. Caso seja aprovado até o meio do ano, especialistas estimam que as primeiras frotas comerciais possam entrar em circulação no interior do estado em 2025.

Além da Waymo, outras empresas terão a oportunidade de protocolar pedidos de operação. Fabricantes de veículos elétricos e startups especializadas em sistemas de direção autônoma acompanham o movimento com atenção. “O mercado de robotáxis deve movimentar mais de US$ 12 bilhões nos Estados Unidos até 2030”, projeta um relatório recente da consultoria McKinsey, citado pela TechCrunch.

Para municípios fora da zona metropolitana — como Buffalo, Rochester e Albany —, a tecnologia é vista como meio de ampliar o acesso ao transporte público sem onerar os cofres locais. Prefeitos dessas regiões já manifestaram interesse em receber projetos-piloto, condicionados ao cumprimento de metas de segurança.

No entanto, organizações de defesa do consumidor e sindicatos de motoristas apontam riscos. Representantes da New York Taxi Workers Alliance cobram transparência sobre índices de acidentes registrados em mercados onde a Waymo e concorrentes já operam, como Arizona e Califórnia. Outro ponto de controvérsia envolve a possível perda de postos de trabalho: segundo estimativas do Economic Policy Institute, cerca de 116 mil taxistas e motoristas de app atuam na cidade de Nova York.

Até que o orçamento executivo seja divulgado, permanece a expectativa sobre a definição do termo “implantação limitada”. Reguladores podem estabelecer cotas de veículos por empresa ou delimitar corredores específicos de circulação. Fontes próximas ao governo estadual afirmam que a estratégia é iniciar com frotas reduzidas para coletar dados e ajustar protocolos antes de ampliar o serviço.

Nos Estados Unidos, apenas três estados — Califórnia, Nevada e Arizona — contam hoje com regulamentação completa para robotáxis. Se aprovada, a legislação nova-iorquina colocará o Empire State no radar das principais desenvolvedoras de AV, reforçando a competição por investimentos e talentos na área de inteligência artificial veicular.

O debate sobre robotáxis também dialoga com a política de sustentabilidade do estado, que prevê zerar as emissões líquidas de carbono até 2050. Veículos autônomos elétricos podem reduzir congestionamentos e poluentes, mas críticos alertam que um aumento no número de carros vazios em circulação pode ter efeito contrário, caso a demanda não seja gerida com eficiência.

Enquanto isso, consumidores aguardam. Pesquisas de opinião conduzidas pelo Pew Research Center indicam que 44% dos norte-americanos se sentem confortáveis em usar carros autônomos, índice que sobe para 62% entre os que já utilizaram algum tipo de serviço de mobilidade sob demanda. Para especialistas, a confiança do público será fundamental para o sucesso do modelo.

Em resumo, o projeto de Kathy Hochul abre uma janela para que a tecnologia avance rapidamente no interior de Nova York, ainda que mantenha restrições nos bairros mais densos da metrópole. O detalhamento das regras nas próximas semanas será decisivo para definir o ritmo da implementação.

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Crédito da imagem: TechCrunch

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