Modelos de IA contestam afirmações do Google sobre estabilidade do tráfego orgânico

O debate sobre a evolução do tráfego gerado pelo Google Search ganhou um novo capítulo após a publicação, na semana passada, de um comunicado oficial da empresa. No texto, o Google assegura que o volume total de cliques orgânicos encaminhados a sites permanece “relativamente estável” em relação ao ano anterior. Além disso, afirma que a qualidade média desses cliques teria aumentado, indicando que usuários tendem a permanecer mais tempo nas páginas acessadas, em vez de retornar rapidamente à pesquisa.

Segundo a companhia, relatórios que apontam queda agregada de visitas estariam baseados em “metodologias falhas”, exemplos isolados ou em variações de tráfego anteriores à implementação de recursos de inteligência artificial no buscador. A empresa não apresentou números detalhados, mas reforçou que estaria, inclusive, “enviando ligeiramente mais cliques de qualidade” do que há 12 meses.

Embora o posicionamento oficial busque afastar preocupações, publicações especializadas em marketing digital, como o portal MarTech, relatam ter recebido relatos pontuais de editores indicando redução de acessos oriundos da pesquisa. Com o objetivo de confrontar as declarações do Google, a equipe da MarTech decidiu consultar seis grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês).

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Foram questionados: Google Gemini, ChatGPT, Perplexity, Claude, DeepSeek e Qwen. A intenção era averiguar se as ferramentas identificam tendência de crescimento ou de queda nos encaminhamentos vindos do mecanismo de busca.

O primeiro a responder foi o Google Gemini, desenvolvido pela própria empresa que tenta afastar suspeitas de declínio. Ainda assim, o modelo não endossou integralmente o posicionamento de sua controladora e expressou reservas quanto à estabilidade do tráfego.

Em seguida, o ChatGPT apresentou uma análise considerada “jornalística” pela MarTech, porém destacou em negrito o termo “declínio”, sinalizando inclinação a reconhecer uma redução nos acessos. Já o Perplexity ofereceu uma resposta direta, também apontando queda.

O Claude, outro modelo de grande porte, foi descrito como “mais sucinto”, mas manteve a conclusão alinhada às demais inteligências artificiais: sinais de diminuição dos cliques provenientes da busca. Entre as soluções desenvolvidas na China, o DeepSeek corroborou essa percepção, enquanto o Qwen apresentou uma avaliação com nuances, comparada pela reportagem a uma célebre declaração do ex-presidente norte-americano Bill Clinton sobre definição de termos, embora igualmente sugerisse redução.

Modelos de IA contestam afirmações do Google sobre estabilidade do tráfego orgânico - Imagem do artigo original

Imagem: martech.org

O levantamento não incluiu o Copilot, modelo da Microsoft integrado ao Bing, pois o veículo afirmou ter “esquecido” da ferramenta. Ainda assim, o conjunto das respostas colhidas indica convergência de opinião entre sistemas desenvolvidos por diferentes empresas e em distintos ambientes regulatórios: todos discordam da premissa de que o tráfego vindo do Google Search estaria inalterado ou em crescimento.

O contraste entre a posição oficial do Google e a avaliação dos modelos de IA reforça a complexidade de medir o impacto das recentes funcionalidades baseadas em inteligência artificial incorporadas ao buscador. Parte dos analistas de marketing digital argumenta que o formato de respostas diretas, exibidas na própria página de resultados, pode reduzir a necessidade de o usuário clicar em links externos. Por outro lado, o Google sustenta que melhorias na “qualidade do clique” compensariam potenciais perdas em volume absoluto.

Até o momento, a empresa não divulgou métricas detalhadas capazes de dirimir a controvérsia. Enquanto isso, editores de conteúdo e profissionais de marketing acompanham com atenção qualquer oscilação, uma vez que o tráfego orgânico proveniente do motor de busca continua sendo fonte relevante de audiência e receita para grande parte dos sites.

A discussão ocorre em contexto de mudanças aceleradas no setor. Diversas plataformas de IA generativa, inclusive as consultadas pela MarTech, estão sendo integradas a produtos de busca ou navegação, o que pode alterar ainda mais o comportamento dos usuários na internet. Embora o efeito exato dessas transformações permaneça incerto, a divergência entre o comunicado do Google e a leitura dos LLMs evidencia que a mensuração de desempenho continuará sob escrutínio.

O portal MarTech pertence à Semrush Inc. e declara compromisso com a cobertura de temas relacionados a marketing e tecnologia. O texto sobre a consulta aos modelos de linguagem foi assinado pelo editor-gerente Constantine von Hoffman, jornalista com passagens por CBSNews.com, Brandweek, CMO e Inc., entre outras redações. Ele atua em Boston e integra a equipe do veículo responsável pela apuração.

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