CEO da Oura nega compartilhamento de dados com governo dos EUA e detalha parceria técnica

O presidente-executivo da Oura, Tom Hale, afirmou nesta segunda-feira, durante o evento Fortune Brainstorm Tech, que a fabricante de anéis inteligentes não repassa nem vende informações de usuários ao governo dos Estados Unidos nem a terceiros. A declaração foi motivada pela repercussão negativa nas redes sociais, onde influenciadores sugeriram a existência de um acordo de compartilhamento de dados com o Departamento de Defesa (DoD) e a empresa de análise Palantir.

Segundo Hale, os anéis da Oura recolhem indicadores como frequência cardíaca, padrões de sono, temperatura corporal, movimentos, ciclos menstruais e outras métricas fisiológicas. O executivo garantiu que essas informações permanecem sob controle dos usuários e só são acessadas pela companhia quando o próprio titular autoriza, por exemplo, para suporte técnico. “Jamais venderemos os dados e nunca os entregaremos a alguém sem autorização expressa”, ressaltou.

O dirigente explicou que a Oura mantém um contrato específico com o DoD para oferecer sua plataforma corporativa em ambiente isolado e certificado. Esse modelo, frisou, não dá acesso aos dados dos consumidores. “O governo utiliza uma versão separada do software, instalada em infraestrutura própria e protegida; a base de dados pública da Oura não se conecta a esse sistema”, disse.

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No mesmo contexto, Hale buscou esclarecer a relação com a Palantir. Ele relatou que a Oura adquiriu em 2023 uma empresa que já possuía um contrato de software como serviço com a Palantir para atender ao requisito Impact Level 5 (IL5), padrão do DoD destinado a material sensível e não classificado. De acordo com o executivo, trata-se de uma prestação comercial pontual, sem troca de dados de saúde. “Os sistemas não estão interligados, e a Palantir não tem como visualizar as informações dos usuários”, frisou.

Hale considerou que boatos e publicações virais amplificaram o tema de forma “totalmente desproporcional”, mas acredita que a situação começa a se normalizar. Ele destacou que a política de privacidade da Oura inclui cláusulas que rejeitam o uso de dados para vigilância ou ações de investigação, e que qualquer solicitação governamental para esse fim seria contestada judicialmente.

O executivo aproveitou o palco para comentar tendências de mercado. Na avaliação dele, a demanda por dispositivos de pulso menores e mais acessíveis cresce principalmente em Ásia e Índia, enquanto a categoria de anéis inteligentes duplicou de tamanho no mesmo intervalo. “Estamos avançando acima de 100% ao ano”, declarou, sem divulgar números absolutos.

Hale defendeu que o produto tem potencial de atuar como ferramenta de saúde preventiva, capaz de alertar o usuário sobre alterações fisiológicas antes de surgirem sintomas mais graves. O anel fornece painéis de evolução de métricas e, por meio de algoritmos de aprendizado de máquina, sugere ações personalizadas. A solução também inclui um serviço de consultoria com profissional de saúde.

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Imagem: Internet

A companhia pretende expandir a presença em iniciativas públicas, ainda que de forma diferente da especulada nas redes. Um dos exemplos citados foi a parceria com planos Medicare Advantage, que disponibilizam anéis a beneficiários elegíveis com foco em monitoramento domiciliar.

Questionado sobre próximos passos, Hale sinalizou abertura a novos formatos de hardware. O executivo prevê um “ecossistema em nuvem” que integre diferentes dispositivos, cada qual dedicado a métricas específicas, como pressão arterial ou metabolismo. “Um único anel não atenderá a todas as finalidades clínicas, então a escolha do wearable dependerá do uso pretendido”, comentou.

Embora a Oura mantenha planos de cooperação com órgãos governamentais e parceiros corporativos, Hale reiterou que a proteção de dados permanece prioridade. Ele enfatizou que funcionários de áreas administrativas não têm acesso irrestrito às informações e que procedimentos internos limitam consultas a trechos estritamente necessários.

Com a reafirmação das políticas de privacidade e a expectativa de crescimento no segmento de anéis inteligentes, a Oura busca conter o desgaste causado pelos rumores e reforçar a estratégia de se posicionar como referência em monitoramento de saúde voltado à prevenção.

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