Startup Rodatherm Energy aposta em circuito fechado com refrigerante para elevar eficiência da energia geotérmica

Rodatherm Energy, startup do setor de energia geotérmica, anunciou nesta segunda-feira que saiu do modo sigiloso após captar US$ 38 milhões em uma rodada Série A. O aporte foi liderado pela Evok Innovations e contou com a participação de Active Impact Investments, Giga Investments, Grantham Foundation for the Protection of the Environment, MCJ, TDK Ventures, Tech Energy Ventures e Toyota Ventures.

Com o novo capital, a empresa pretende construir um projeto-piloto de 1,8 megawatt no estado de Utah até o fim de 2026. A produção elétrica gerada será adquirida pela Utah Associated Municipal Power Systems, consórcio que reúne distribuidoras municipais da região.

O diferencial tecnológico da Rodatherm está no uso de um circuito fechado instalado no interior dos poços perfurados. O sistema, provavelmente feito de aço, é preenchido com um fluido refrigerante em vez de água, prática adotada pela maioria das iniciativas de geotermia aprimorada. Nesse formato, o refrigerante circula continuamente, absorve o calor do subsolo e retorna à superfície para movimentar turbinas e gerar eletricidade.

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Segundo a companhia, a opção pelo refrigerante pode tornar o processo 50% mais eficiente que os arranjos tradicionais baseados em água. O registro de patente afirma que o circuito fechado evita a necessidade de filtros para reter partículas de rocha, comuns em sistemas abertos, além de reduzir o consumo hídrico ao não requerer injeção de água nova no reservatório.

Embora a maior eficiência seja um atrativo, o método da Rodatherm tende a demandar perfuração e instalação mais complexas, com custos superiores aos das configurações convencionais. A relação entre o ganho de desempenho e o investimento adicional só deverá ficar clara depois que a empresa concluir o primeiro poço e mensurar o resultado operacional.

O mercado de geotermia aprimorada reúne concorrentes bem financiados. A Fervo Energy, considerada a participante mais adiantada, já acumulou quase US$ 1 bilhão em investimentos. A companhia avança na implantação da primeira fase, de 100 megawatts, da usina Cape Station, prevista para entrar em operação no próximo ano. O projeto deve alcançar 500 megawatts em 2028 e fornecerá parte da energia consumida por data centers do Google.

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Imagem: Getty

Outra rival, a XGS Energy, assinou acordo com a Meta para erguer uma planta de 150 megawatts no Novo México, dedicada ao abastecimento dos centros de dados da empresa de tecnologia. Sage Geosystems e Quaise completam a lista de competidores citados pela Rodatherm.

Mesmo diante da concorrência, a nova rodada de financiamento indica confiança de investidores no potencial do projeto. O consórcio que liderou o aporte reúne fundos especializados em tecnologias de baixo carbono e em transição energética, sinalizando interesse em soluções capazes de reduzir emissões sem intermitência, atributo chave da geotermia.

Utah foi escolhido para o piloto por reunir características geológicas favoráveis e infraestrutura já criada para outros projetos de geração. A instalação de 1,8 megawatt será usada para validar o desempenho do circuito fechado com refrigerante em escala comercial limitada. Caso os resultados confirmem as projeções de eficiência e custo, a companhia planeja replicar o desenho em usinas de maior porte nos Estados Unidos e, posteriormente, em outros mercados.

Embora a energia geotérmica represente pequena fração da matriz elétrica global, o avanço de tecnologias de perfuração, modelagem de reservatórios e materiais de alta resistência abriu espaço para ampliar sua participação. Modelos de negócio que incluem contratos de compra de longo prazo com grandes consumidores, como data centers, vêm sustentando o interesse de investidores na área. O desempenho do piloto da Rodatherm em Utah deverá oferecer novos indicadores sobre a viabilidade econômica dessa abordagem de circuito fechado e refrigerante.

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