Tesla revê maçanetas após investigação de segurança nos Estados Unidos

A Tesla está reformulando o projeto de suas maçanetas para reduzir o risco de ocupantes ficarem presos dentro dos veículos. A informação foi confirmada pelo chefe de design da montadora, Franz von Holzhausen, em entrevista publicada na quarta-feira, um dia depois de a Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário dos Estados Unidos (NHTSA) abrir investigação formal sobre o componente.
Segundo von Holzhausen, a empresa busca integrar em um único comando o mecanismo eletrônico de travamento, normalmente acionado pelo sistema elétrico do carro, e a liberação manual, presente nos modelos atuais, porém de localização menos intuitiva. O executivo não detalhou quando a decisão foi tomada nem forneceu prazo para a adoção do novo desenho.
A revisão ocorre em meio a questionamentos sobre a segurança das maçanetas embutidas usadas pela montadora. Desde a última semana, uma série de relatos de motoristas e passageiros que permaneceram dentro dos carros após colisões ganhou destaque. O tema ganhou força depois de reportagem que expôs diferentes casos em que proprietários precisaram quebrar vidros para sair do veículo ou para voltar a entrar após pane elétrica.
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Na terça-feira, a NHTSA informou ter recebido nove queixas formais sobre falhas nas maçanetas. Em quatro dessas ocorrências, os donos declararam ter sido necessário quebrar uma janela para recuperar o acesso ao interior do automóvel. O órgão de segurança ressaltou, em relatório preliminar, que nenhum desses consumidores relatou ter recebido alerta de bateria de baixa voltagem, elemento que poderia indicar um problema iminente no travamento eletrônico.
O sistema de abertura utilizado pela Tesla depende da energia fornecida pela bateria de 12 volts para acionar as travas. Quando essa fonte elétrica se esgota, as maçanetas externas ficam inoperantes. A fabricante inclui instruções nos manuais para conectar uma fonte de alimentação externa e reativar o mecanismo, mas a NHTSA observa que, na prática, muitos proprietários desconhecem esse procedimento ou não dispõem do equipamento necessário em situação de emergência.
Além da falha elétrica, críticas frequentes apontam que as alavancas de liberação mecânica instaladas nos modelos da marca são pouco visíveis e, em alguns casos, exigem movimentos que podem danificar componentes internos, como vidros e guarnições. A proposta em estudo pretende simplificar o uso ao juntar a função mecânica e a eletrônica em um só acionamento, de modo a preservar a estética de maçanetas embutidas e, simultaneamente, garantir opção física de escape.
Imagem: Getty
Fora dos Estados Unidos, autoridades também analisam o tema. Na China, órgãos reguladores vêm pressionando montadoras a reconsiderar maçanetas totalmente ocultas por preocupações semelhantes, ainda que o país não tenha definido medida específica sobre o assunto. A atenção internacional reforça a urgência de soluções que assegurem acessibilidade ao interior dos veículos em caso de falha de energia ou acidente.
Enquanto desenvolve o novo desenho, a Tesla permanece sob escrutínio da NHTSA. A abertura de investigação é o primeiro passo de um processo que pode resultar em recall, imposição de multas ou determinação de mudanças obrigatórias, dependendo dos achados do órgão federal. Não há prazo definido para conclusão da análise.
A questão das maçanetas soma-se a outros inquéritos envolvendo a montadora nos últimos anos, incluindo autopilotagem e sistemas de direção assistida. Até o momento, a empresa não anunciou campanhas de reparo relacionadas às travas de portas, mas, se adotada, a atualização de projeto poderá ser aplicada a futuras linhas e, potencialmente, oferecida em programas de retrofit para veículos já em circulação.
Procurada, a Tesla não detalhou custos, cronograma de implementação nem a abrangência da eventual atualização. O desenvolvimento do novo mecanismo segue em andamento, enquanto autoridades e consumidores aguardam resultados concretos que reforcem a segurança e a usabilidade dos veículos da marca.
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