Acordo do TikTok nos EUA avança com consórcio americano

Acordo do TikTok nos EUA volta a ganhar fôlego depois de quatro anos de impasse entre Washington e Pequim. Um grupo de investidores norte-americanos, encabeçado por Oracle, Silver Lake e Andreessen Horowitz, negocia assumir 80% das operações da plataforma no país, deixando os 20% restantes nas mãos de acionistas chineses da ByteDance.

O modelo em debate prevê que o novo conselho de administração tenha maioria de membros dos Estados Unidos e um assento indicado diretamente pelo governo norte-americano. Caso o entendimento avance, a avaliação do negócio pode alcançar US$ 60 bilhões, segundo o vice-presidente sênior da CFRA Research, Angelo Zino.

Índice
  1. Acordo do TikTok nos EUA avança com consórcio americano
  2. Entenda o novo desenho do negócio
  3. Possível migração para um novo aplicativo
  4. Cronologia do embate EUA x TikTok
  5. Quem está na disputa
  6. Próximos passos

Acordo do TikTok nos EUA avança com consórcio americano

O panorama mudou na semana passada, quando o ex-presidente Donald Trump declarou que o presidente Xi Jinping concordou, em princípio, com a estrutura proposta. Trump, que assinou quatro prorrogações do prazo para banir o app durante seu mandato, agora busca uma divisão acionária 50-50, mas admite a solução de maioria norte-americana como ponto de partida.

Entenda o novo desenho do negócio

A Oracle, já responsável pelos serviços de nuvem que armazenam dados de usuários norte-americanos, ficaria encarregada de “clonar” e proteger uma versão do algoritmo exclusivamente hospedada nos EUA. Esse código seria alugado à ByteDance, mas qualquer treinamento ou ajuste seria conduzido pela Oracle, impedindo a empresa chinesa de acessar informações sensíveis de usuários ou interferir no funcionamento local do app.

Segundo a Casa Branca, o acordo também bloquearia qualquer compartilhamento de dados com autoridades chinesas. A medida busca responder às preocupações de segurança nacional que motivaram, em 2020, a ordem executiva de Trump para proibir transações com a ByteDance.

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Possível migração para um novo aplicativo

Relatos da Bloomberg indicam que, após a conclusão do acordo, o aplicativo atual poderá ser descontinuado nos Estados Unidos, forçando os usuários a migrarem para uma nova plataforma ainda sem nome ou detalhes de funcionalidades. A proposta inclui a transferência integral das contas e recomendações de conteúdo, mas não há clareza sobre prazos nem sobre a experiência que substituirá o TikTok original. (Fonte: Bloomberg).

Cronologia do embate EUA x TikTok

• Agosto de 2020 – Trump assina ordem executiva para banir transações com a ByteDance.
• Setembro de 2020 – Governo tenta forçar a venda da operação norte-americana; Microsoft, Oracle e Walmart aparecem como principais interessados.
• Outubro de 2020 – Juiz federal suspende temporariamente a ordem, mantendo o app ativo.
• 2023 – Com a posse de Joe Biden, o Congresso aprova projeto para restringir o TikTok; Biden sanciona a lei.
• 2024 – TikTok processa o governo, alegando violação da Primeira Emenda.
• 2025 – Trump, agora candidato, propõe nova composição acionária, enquanto consórcios disputam a compra.

Quem está na disputa

Além do trio Oracle, Silver Lake e Andreessen Horowitz, outras iniciativas tentam adquirir participação na plataforma. O The People’s Bid for TikTok, liderado pelo fundador do Project Liberty, Frank McCourt, conta com apoio de Alexis Ohanian (Reddit), Tim Berners-Lee (inventor da Web) e do investidor Kevin O’Leary. Já o American Investor Consortium, capitaneado por Jesse Tinsley, reúne nomes como David Baszucki (Roblox) e o influenciador MrBeast.

Outros possíveis compradores mencionados incluem Amazon, AppLovin, Microsoft, Perplexity AI, Rumble, Walmart, Zoop, o ex-CEO da Activision Bobby Kotick e o ex-secretário do Tesouro Steven Mnuchin. Durante entrevista à Fox, Trump também citou Rupert Murdoch, seu filho Lachlan, o presidente-executivo da Dell Technologies, Michael Dell, e o chair da Oracle, Larry Ellison, como figuras que podem ter papel relevante no acordo.

Acordo do TikTok nos EUA avança com consórcio americano - Imagem do artigo original

Imagem: Getty

Próximos passos

Para que o desfecho se concretize, o Comitê de Investimentos Estrangeiros dos Estados Unidos (CFIUS) e reguladores chineses precisam avaliar e aprovar a estrutura. Caso o green-light seja dado, especialistas projetam a criação de uma entidade independente, sediada em solo norte-americano, responsável por operar o aplicativo e garantir a soberania sobre dados e algoritmos.

A ByteDance, por sua vez, reafirma que respeita as leis locais e nega qualquer repasse de informações a Pequim. A companhia promete manter o acesso dos norte-americanos à plataforma enquanto as negociações prosseguem.

No curto prazo, usuários podem enfrentar mudanças graduais, como notificações sobre termos de uso e eventuais migrações de conta. No entanto, ainda não há cronograma definido para a transição nem para a liberação do suposto “novo TikTok”.

O desfecho dessa saga deve impactar todo o ecossistema de redes sociais, influenciadores e anunciantes. Enquanto aguardam a decisão final, empresas de tecnologia acompanham de perto as condições impostas e os precedentes regulatórios que podem recair sobre outras plataformas estrangeiras.

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Image Credits: Bryce Durbin / TechCrunch

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