Aeroportos e integração ao transporte público tornam-se focos estratégicos para empresas de robotáxis

O cenário de veículos autônomos, antes descrito como uma “corrida”, mostra-se hoje um percurso fragmentado em direção à viabilidade técnica e financeira. Entre os diversos competidores, dois territórios despontam como decisivos para os robotáxis: o atendimento a aeroportos e a integração direta com sistemas de transporte público.
No segmento aeroportuário, a Waymo já opera deslocamentos de e para o Aeroporto Sky Harbor, em Phoenix. Agora, a companhia recebeu autorização para iniciar testes no Aeroporto Internacional de San Francisco, passo preliminar à oferta comercial de corridas. Há duas semanas, a empresa obtivera permissão semelhante no Aeroporto Mineta San José. A estratégia reforça a importância dos terminais aéreos, ponto de alto volume que, nas primeiras fases do transporte por aplicativo, foi crucial para a expansão de empresas de carona paga. A Tesla também se movimenta para oferecer serviço de ride-hail em ambos os aeroportos californianos, indicando disputa crescente por esse tipo de rota.
Paralelamente, a Waymo firmou acordo com a Via, desenvolvedora de software utilizado por agências públicas de transporte. O entendimento permite que operadoras municipais incluam robotáxis da Waymo em suas redes, oferecendo-os como opção quando não houver veículos convencionais disponíveis. A primeira aplicação ocorrerá em Chandler, subúrbio de Phoenix, dentro do programa de viagens sob demanda Chandler Flex. Nesse modelo, o passageiro poderá escolher um carro autônomo pelo aplicativo da Waymo a um preço subsidiado de até US$ 2. Embora a tarifa reduzida limite o potencial de receita imediata, a parceria amplia a exposição do serviço e pode escalar a “centenas de cidades”, segundo a Via.
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Enquanto esses testes avançam, o segmento de tecnologia veicular registra novos aportes. A britânica Wayve, que adota abordagem de condução autônoma de ponta a ponta, prepara rodada Série D. Um memorando de intenções firmado com a Nvidia prevê investimento estratégico de US$ 500 milhões na próxima captação. Em 2023, a startup já havia levantado US$ 1,05 bilhão em Série C com participação de SoftBank, Microsoft e da própria Nvidia.
Outras empresas de mobilidade também atraíram capital. A Divergent Technologies, que migrou do setor automotivo para a defesa, arrecadou US$ 290 milhões — incluindo US$ 40 milhões em dívida — para ampliar a produção de peças de mísseis e componentes especializados. A EV Realty obteve US$ 75 milhões para construir postos de recarga para caminhões na Califórnia. A Moove, focada em financiamento de veículos na África e apoiada pela Uber, busca levantar mais de US$ 300 milhões, projetando avaliação acima de US$ 2 bilhões. Já a XL Batteries, desenvolvedora de baterias de fluxo para armazenamento de energia, captou US$ 7,5 milhões.
Imagem: Getty
No campo automotivo tradicional, a Hyundai Motor Group detalhou metas de crescimento: ampliar as vendas anuais de 4,17 milhões de unidades em 2025 para 5,55 milhões em 2030. Para sustentar a expansão, a montadora investirá US$ 2,7 bilhões nos próximos três anos na fábrica Metaplant, na Geórgia, e prevê que veículos eletrificados representem 60% das vendas, totalizando 3,3 milhões de unidades. A empresa estima, para 2024, aumento de receita entre 5% e 6% e margem operacional de 6% a 7%.
Outros movimentos completam o panorama da mobilidade. A Rivian deu início às obras de sua planta próxima a Atlanta. A Stellantis cancelou a produção da picape elétrica Ram 1500 REV, mantendo apenas a versão de autonomia estendida, agora rebatizada de Ram 1500 REV. A Tesla promete redesenhar maçanetas após investigação da agência de segurança viária dos Estados Unidos sobre possíveis falhas e realizou recall de baterias Powerwall 2 na Austrália devido a riscos de incêndio. No setor de entregas, a Uber testará drones do parceiro israelense Flytrex em cidades norte-americanas ainda este ano. Por fim, a Waymo planeja lançar serviço comercial de robotáxis em Nashville em 2026, em parceria com a Lyft.
A soma dessas iniciativas confirma que, embora o desenvolvimento de veículo autônomo não se configure mais como uma corrida linear, aeroportos e sistemas de transporte público emergem como pontos de disputa determinantes para ganhar escala e, futuramente, lucro nesse mercado.
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