Armazenamento de energia no oceano ganha impulso com startup

Armazenamento de energia no oceano surge como alternativa para suprir a crescente demanda por eletricidade renovável e prolongar a autonomia das redes. A Sizable Energy, empresa criada pelo engenheiro italiano Manuele Aufiero, acaba de levantar US$ 8 milhões para avançar em sua tecnologia que adapta o tradicional bombeamento hidrelétrico aos mares profundos.

O modelo, inspirado nos grandes “lagos-baterias” que existem em montanhas, transporta água supersalgada entre dois reservatórios selados — um flutuante na superfície e outro ancorado no fundo do mar. Essa estrutura promete produzir energia durante horas, reduzindo a intermitência de fontes como eólicas e solares.

Índice
  1. Armazenamento de energia no oceano ganha impulso com startup
  2. Como o projeto resolve limitações do bombeamento terrestre
  3. Meta: energia a US$ 0,02 por kWh armazenado
  4. Investidores apostam em longo prazo
  5. Desafios a vencer no fundo do mar
  6. Próximos passos e cronograma

Armazenamento de energia no oceano ganha impulso com startup

A lógica de funcionamento repete o princípio centenário do bombeamento reverso: quando há excesso de eletricidade e o preço cai, bombas elevam o fluido denso ao reservatório superior. Quando a rede precisa de energia, uma válvula se abre; a água mais pesada desce pela tubulação, aciona turbinas e gera eletricidade. “Do ponto de vista energético, estamos apenas levantando um bloco de sal, mas de forma muito mais simples”, explica Aufiero.

Como o projeto resolve limitações do bombeamento terrestre

Usinas de bombeamento hidrelétrico convencionais armazenam hoje cerca de 8.500 gigawatt-hora em todo o mundo, segundo a Agência Internacional de Energia. No entanto, essas usinas dependem de topografia favorável e obras civis complexas, o que limita novas instalações. Ao migrar para o mar, a Sizable Energy espera padronizar os componentes e produzir em série, reduzindo custos e prazos.

Nos protótipos já testados em tanques de ondas e ao largo de Reggio Calabria, na Itália, a empresa validou a resistência dos reservatórios flexíveis e o equilíbrio do conjunto frente a correntes marítimas. O próximo passo, previsto para 2025, é instalar um piloto completo com turbinas de 6 a 7 MW cada. Em locais mais profundos — a partir de 500 metros —, o potencial de armazenamento aumenta, permitindo vários módulos por campo.

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Meta: energia a US$ 0,02 por kWh armazenado

A Sizable Energy afirma que pode entregar armazenamento a US$ 20 por megawatt-hora (aproximadamente US$ 0,02 por kWh), valor dez vezes inferior ao das baterias de lítio de grande escala. A economia decorre de três fatores:

  • produção industrial dos reservatórios e tubulações;
  • uso de água salgada, eliminando químicos caros;
  • compartilhamento da conexão elétrica com parques eólicos offshore, reduzindo cabos.

Além de complementar parques eólicos, a tecnologia pode reforçar a resiliência de qualquer rede situada perto de costas profundas. “Precisamos de armazenamento de longa duração não só para integrar renováveis, mas para tornar as redes mais robustas”, diz Aufiero.

Investidores apostam em longo prazo

A rodada liderada pela Playground Global contou com participação de fundos como EDEN/IAG, Exa Ventures, Satgana, Unruly Capital e Verve Ventures. O capital financiará o desenvolvimento de turbinas, válvulas de alta pressão e sistemas de controle submerso. A meta é ter projetos comerciais em operação até 2026, distribuídos em diferentes continentes.

Cada instalação contará com várias “ampulhetas” interligadas, o que permite modular a capacidade conforme a demanda local. A empresa projeta que um campo completo poderá operar de modo autônomo por mais de 25 anos, com manutenção focada em inspeções subaquáticas periódicas.

Armazenamento de energia no oceano ganha impulso com startup - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Desafios a vencer no fundo do mar

Embora a proposta seja promissora, especialistas apontam questões a monitorar: corrosão, impacto em ecossistemas, licenciamento ambiental e integração com redes existentes. Aufiero afirma que o uso de reservatórios selados minimiza a troca de sal com a água do entorno, reduzindo riscos. Já a escolha de áreas afastadas de recifes e rotas de pesca busca mitigar impactos socioambientais.

A startup trabalha também com autoridades marítimas para definir protocolos de ancoragem e sinalização, de forma similar aos adotados por plataformas de petróleo e turbinas eólicas offshore.

Próximos passos e cronograma

Em 2024, a equipe concentrará esforços no comissionamento do piloto flutuante e na certificação de segurança. Caso os resultados confirmem a eficiência esperada, contratos de pré-venda poderão ser assinados ainda em 2025. O primeiro cliente deve ser um consórcio de energia renovável interessado em combinar eólica offshore com armazenamento de longa duração.

Enquanto isso, governos e empresas buscam soluções para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e estabilizar a rede. O avanço do armazenamento de energia no oceano surge como peça-chave nesse quebra-cabeça, oferecendo escala e duração que baterias convencionais ainda não conseguem igualar.

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Crédito da imagem: TechCrunch

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