Austrália contrata AU$ 1,7 bilhão em drones submarinos Ghost Shark e estreia frota já em 2025

Sydney – A Marinha da Austrália firmou contrato de 1,7 bilhão de dólares australianos (aproximadamente 1,1 bilhão de dólares americanos) com a Anduril Industries para a entrega, manutenção e evolução de uma frota de veículos submarinos não tripulados de grande porte, conhecidos como Ghost Shark. Segundo o cronograma oficial, as primeiras unidades começarão a operar em águas australianas no próximo ano.
A assinatura transforma o programa em linha permanente do orçamento de defesa australiano por pelo menos cinco anos, garantindo receita recorrente à fabricante e assegurando ao país um sistema de vigilância e ataque de longo alcance descrito como furtivo e de difícil detecção. O acordo inclui suporte logístico completo e desenvolvimento contínuo dos sistemas, o que coloca o veículo em ciclo constante de atualização tecnológica.
O Ghost Shark é classificado como XLUUV (Extra-Large Uncrewed Undersea Vehicle) e passou do quadro-branco ao contrato em apenas três anos. Essa velocidade contrasta com o panorama norte-americano, onde o Orca, desenvolvido pela Boeing para a Marinha dos Estados Unidos, acumula atrasos e custos elevados. Ao todo, Washington investiu quantias superiores às aplicadas por Canberra e pela Anduril sem conseguir colocar um sistema equivalente em operação.
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A iniciativa australiana começou em 2022, quando governo e empresa concordaram em cofinanciar o projeto com 50 milhões de dólares cada. O primeiro protótipo ficou pronto em abril de 2024, doze meses antes da meta inicial, e a produção em série já está em andamento. Para a Anduril, o avanço comprova a eficácia de envolver capital privado no estágio inicial a fim de reduzir riscos e acelerar aquisições de defesa.
Construído em material composto leve e equipado com propulsão elétrica sigilosa, o Ghost Shark pode cumprir missões de reconhecimento, vigilância persistente e, quando configurado, lançamento de armamentos. O casco possui compartimentos modulares, permitindo que diferentes clientes instalem pacotes de sensores ou cargas úteis específicas sem alterar a estrutura principal.
A flexibilidade de configuração alimenta planos de expansão. Um módulo desenvolvido para os Estados Unidos está em testes na costa da Califórnia, e a Anduril concluiu uma fábrica de 14 mil metros quadrados em Rhode Island para atender eventuais contratos americanos ou de terceiros. A companhia afirma ter capacidade de entregar o veículo em escala industrial caso surjam novas encomendas.
Especialistas apontam que a Austrália enfrenta urgência singular. Com território insular extenso e população reduzida, o país busca meios autônomos de vigilância para cobrir áreas marítimas amplas diante da intensificação das atividades navais chinesas no Pacífico. Exercícios considerados provocativos, realizados por navios de guerra chineses próximo à costa australiana, reforçam a necessidade de resposta rápida.
Imagem: Internet
Dentro desse contexto, o Ghost Shark converte-se em solução atraente: opera sem tripulação, permanece submerso por longos períodos e transporta cargas que podem ser adaptadas a tarefas de inteligência, dissuasão ou ataque. A combinação de alcance elevado e custo inferior ao de um submarino tripulado atende à intenção de reforçar capacidades sem inflar o efetivo humano.
Para a Anduril, o contrato consolida o modelo de negócios que busca unir velocidade de desenvolvimento, participação financeira própria e parcerias governamentais estratégicas. Responsáveis pela empresa destacam que o acordo ilustra como processos menos burocráticos e maior tolerância a risco podem reduzir prazos tradicionais de aquisição militar, muitas vezes superiores a uma década.
Nos próximos meses, engenheiros da companhia e da Marinha australiana concluirão testes adicionais de resistência, integração de software e certificação de segurança. Em paralelo, linhas de montagem já produzem os cascos iniciais, enquanto equipes de sistemas trabalham na incorporação de novos sensores e atualizações de navegação.
O governo de Canberra pretende empregar a frota em missões de patrulha em zonas estratégicas do Indo-Pacífico logo após a entrega. Se o desempenho operacional corresponder aos resultados de teste, fontes próximas ao programa indicam que o contrato poderá ser ampliado para incluir unidades adicionais, assegurando continuidade à produção na segunda metade da década.
Além de reforçar a defesa australiana, o Ghost Shark sinaliza mudança de paradigma em programas navais de grande porte. A transição rápida do conceito à implantação e o investimento conjunto de verbas públicas e privadas podem influenciar futuras compras militares em diversos países que buscam equilibrar restrições orçamentárias e pressões geopolíticas.
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