DOE corta bilhões em subsídios de GM, Ford e startups

DOE corta bilhões em subsídios de GM, Ford e startups — A decisão preliminar do Departamento de Energia (DOE) dos Estados Unidos, sob a gestão do ex-presidente Donald Trump, ameaça cancelar uma fatia expressiva de recursos já contratados com grandes montadoras e dezenas de empresas emergentes. Segundo documento interno analisado pela TechCrunch, os cortes podem ultrapassar US$ 7,5 bilhões, somando-se a mais US$ 500 milhões de contratos firmados dentro da Lei Bipartidária de Infraestrutura.

De acordo com a análise, Ford, General Motors, Stellantis, Daimler Trucks North America, Harley-Davidson, Mercedes-Benz Vans e Volvo Technology of America estão entre as corporações que podem perder centenas de milhões de dólares em incentivos voltados à transição energética e à eletrificação de frotas.

Índice
  1. DOE corta bilhões em subsídios de GM, Ford e startups
  2. Montadoras correm contra o tempo para salvar investimentos
  3. Startups veem futuro comprometido por corte de subsídios
  4. Infraestrutura elétrica e inteligência artificial em xeque
  5. Motivações políticas e impacto econômico
  6. Repercussão internacional e desafios para a transição verde

DOE corta bilhões em subsídios de GM, Ford e startups

Ainda não há confirmação oficial, mas fontes ouvidas pela TechCrunch sustentam que as anulações constam na versão mais recente do plano de contingência do DOE. O documento prevê a revogação de contratos assinados em 2023 e 2024, todos classificados como subsídios não reembolsáveis destinados a projetos industriais de baixo carbono.

Montadoras correm contra o tempo para salvar investimentos

A General Motors pode ser a maior prejudicada, com a possível perda de pelo menos US$ 500 milhões que seriam aplicados na modernização da fábrica Lansing Grand River, em Michigan. O aporte tinha como meta adequar as linhas de produção para veículos eletrificados e híbridos anunciados em julho de 2024. Ford e Stellantis também estão expostas a cancelamentos significativos, embora os valores específicos não tenham sido detalhados no memorando.

Startups veem futuro comprometido por corte de subsídios

O impacto atinge de forma ainda mais sensível o ecossistema de inovação. Pelo menos duas startups tinham iniciativas superiores a US$ 100 milhões em risco. A Brimstone, focada em material de construção de baixo carbono, recebeu US$ 189 milhões para erguer uma fábrica de cimento Portland e alumina com emissão reduzida de CO₂. Já a Anovion, sediada em Chicago, contava com verba para instalar uma planta de grafite sintético, insumo crítico das baterias de íon-lítio, atualmente dominado por fornecedores chineses.

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Outras empresas, como Li Industries (US$ 55,2 milhões para reciclar baterias LFP), Sublime Systems (US$ 86,9 milhões para cimentícia ultrabaixa em carbono) e Furno (US$ 20 milhões para forno modular de cimento), também podem ver seus planos congelados. No setor de materiais de construção, CleanFiber, Hempitecture, Skyven Technologies e Luxwall somam mais de US$ 64 milhões ameaçados.

Infraestrutura elétrica e inteligência artificial em xeque

Um dos cortes propostos contraria a própria estratégia do governo de ampliar a capacidade da rede elétrica e sustentar o crescimento de data centers de inteligência artificial. A TS Conductor, que desenvolve cabos avançados aptos a dobrar ou triplicar a capacidade de linhas de transmissão existentes, pode perder US$ 28,2 milhões em financiamento. O cancelamento dificultaria a mitigação de gargalos energéticos apontados por especialistas.

Motivações políticas e impacto econômico

Os cortes decorrem de diretriz orçamentária da administração Trump, que tenta reduzir gastos federais em programas ambientais e industriais. Para analistas, a medida afeta diretamente o emprego em regiões que apostavam na descarbonização como vetor de desenvolvimento. No caso da GM, por exemplo, o projeto em Michigan projeta criar centenas de vagas diretas na montagem de powertrains híbridos.

Entidades do setor automotivo e ambiental avaliam recorrer ao Congresso norte-americano e à Justiça para reverter os cortes. “Interromper contratos assinados fere a confiança de investidores e coloca em risco a competitividade dos EUA na corrida pela mobilidade limpa”, declarou um executivo ouvido sob condição de anonimato.

DOE corta bilhões em subsídios de GM, Ford e startups - Imagem do artigo original

Imagem: Getty

A pasta chefiada por Donald Trump não comentou oficialmente. Em nota publicada anteriormente sobre reduções de US$ 7,5 bilhões, o DOE disse “reavaliar a eficiência do gasto público” e priorizar iniciativas “com maior retorno imediato”. O tema deve ganhar destaque em audiências legislativas nas próximas semanas.

Repercussão internacional e desafios para a transição verde

Os subsídios da Lei Bipartidária de Infraestrutura vinham sendo vistos como contraponto às políticas industriais da União Europeia e da China. Se confirmados, os cortes podem enfraquecer a posição norte-americana na cadeia global de baterias, matéria-prima crítica para veículos elétricos. Especialistas do Departamento de Energia dos EUA alertam que atrasos na instalação de fábricas podem abrir espaço para concorrentes estrangeiros capturarem market share.

Startups impactadas afirmam que buscariam alternativas privadas, mas reconhecem que, sem o respaldo federal, custos de capital aumentam e prazos de implementação se alongam. Até o fechamento desta reportagem, nenhuma empresa havia confirmado mudanças no cronograma, aguardando manifestação definitiva do governo.

Se a proposta avançar, os cancelamentos se somarão a outras revisões de programas climáticos iniciadas em 2023. Para especialistas, o efeito cumulativo coloca em risco as metas de redução de emissões assumidas pelos EUA para 2030.

Em síntese, a decisão do DOE mostra como reviravoltas políticas podem alterar o rumo de investimentos multibilionários em eletromobilidade e materiais sustentáveis. O desfecho, porém, ainda depende de negociações em Washington e da pressão de estados e empresas interessadas.

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Crédito da imagem: TechCrunch

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