Earthmover estreia como Snowflake dos dados meteorológicos

Earthmover, a climate tech norte-americana, reposicionou o negócio para oferecer uma plataforma de dados meteorológicos e geoespaciais em tempo quase real, visando aproximar-se do papel que a Snowflake exerce no mercado de dados corporativos.

Fundada por Ryan Abernathey (CEO) e Joe Hamman (CTO), a empresa passou a concentrar seus esforços em informações que mudam diariamente — como previsões do tempo, riscos de incêndio e produção de energia renovável — após concluir que os conjuntos de dados climáticos de longo prazo eram atualizados com pouca frequência para gerar receitas consistentes.

Earthmover estreia como Snowflake dos dados meteorológicos

Com a mudança estratégica, a Earthmover conquistou mais de dez clientes pagantes e fechou uma rodada seed de US$ 7,2 milhões liderada pela Lowercarbon Capital, com participação da Costanoa Ventures e da Preston-Werner Ventures. O aporte financiará o desenvolvimento de novos recursos sobre sua base de armazenamento de dados, capaz de lidar com dezenas ou centenas de terabytes por empresa.

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O núcleo da tecnologia continua sendo a mesma estrutura criada para hospedar grandes matrizes — chamadas de raster no universo geoespacial ou tensor na inteligência artificial. Em volta desse repositório, foram adicionadas ferramentas de exploração que simplificam consultas e visualizações para setores como seguros, energia e mercados financeiros.

“O que define um caso de uso atraente para nossa plataforma é a frequência com que o dado muda. É aí que existe urgência por soluções”, afirmou Abernathey em entrevista ao TechCrunch. Segundo ele, os fluxos de trabalho de clientes como a seguradora Kettle, especializada em avaliar risco de incêndios florestais, exigem dados atualizados constantemente e prontos para análise imediata.

Além da Kettle, a multinacional de energia RWE também utiliza a Earthmover para prever oferta e demanda de eletricidade renovável, altamente sensível à variação climática. Para atender a esse tipo de operação, a startup roda sua infraestrutura em nuvens públicas — Google Cloud, AWS e Microsoft Azure — ou em servidores dedicados, sempre baseada em softwares de código aberto como Xarray, Pangeo e Icechunk.

Aderir ao open source foi simultaneamente uma decisão técnica e comercial. “Se uma grande empresa depende de uma startup, precisa ter a certeza de que não ficará presa caso o fornecedor mude de rota”, explicou Abernathey. Usando projetos abertos, o cliente mantém controle total dos próprios dados, minimizando riscos de lock-in.

Para executivos de trading, seguros ou utilities, a promessa da Earthmover é clara: transformar volumes colossais de observações de satélite e estações meteorológicas em painéis visuais acessíveis por navegador, sem a necessidade de scripts complexos. Essa facilidade de uso, afirma Hamman, amplia o universo de profissionais capazes de extrair valor de bases que antes exigiam conhecimento avançado de programação.

A ambição de se tornar a “Snowflake do clima” também significa investir em camadas de abstração que permitam integrar dados internos das empresas com informações públicas, num cenário em que previsões de curto prazo podem determinar vantagens competitivas. O deslocamento de chuva, por exemplo, impacta cotações de commodities e decisões logísticas; já mapas de risco de fogo influenciam preços de seguros em tempo real.

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Imagem: Internet

Relatos recentes de crescimento acelerado no segmento de análise ambiental reforçam a tese. De acordo com estudo da consultoria Allied Market Research, o mercado global de big data meteorológico deverá ultrapassar US$ 16 bilhões até 2030, impulsionado por demandas de agricultura, energia e transporte. Tendências como essas explicam por que investidores veem a Earthmover como peça potencialmente decisiva na cadeia de valor de informações climáticas, conforme destacou o TechCrunch.

Com a nova rodada, a startup pretende expandir a equipe e adicionar funcionalidades de aprendizado de máquina que automatizem alertas baseados em anomalias climáticas. Paralelamente, continuará fomentando a comunidade aberta ao contribuir com bibliotecas que eliminam gargalos de leitura e escrita de arquivos gigantescos.

No curto prazo, os fundadores apostam que a demanda por previsões e análises de alta frequência só tende a crescer, impulsionada por mudanças climáticas mais extremas e pela digitalização de setores historicamente analógicos. “Queremos que qualquer analista consiga clicar e ver o mapa da previsão mais recente, em vez de rodar um script Python”, resume Hamman.

Para empresas que dependem do tempo — seja para proteger ativos, precificar seguros ou otimizar produção de energia —, a Earthmover oferece um caminho para transformar petabytes de observações em vantagem competitiva.

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Crédito da imagem: TechCrunch

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