Ex-cientistas do Google X captam US$ 5,7 mi para aplicativo que transforma conversas em “memória” digital

Três ex-pesquisadores do laboratório Google X arrecadaram US$ 5,7 milhões em rodada seed para impulsionar o TwinMind, aplicativo móvel que registra falas em segundo plano e as converte em um grafo de conhecimentos pessoais. A operação, concluída poucos meses após a fundação da empresa em março de 2024, avaliou a startup em US$ 60 milhões.

O projeto é liderado por Daniel George (CEO) e pelos cofundadores Sunny Tang e Mahi Karim, ambos diretores de tecnologia. O aplicativo roda em iOS e Android, transcreve áudio em tempo real diretamente no dispositivo e, segundo os criadores, pode permanecer ativo por até 16 horas seguidas sem consumo elevado de bateria. As transcrições originam notas, tarefas e respostas geradas por inteligência artificial, formando uma espécie de “segundo cérebro” para o usuário.

Índice
  1. Funcionamento e diferenciais
  2. Extensão para navegador
  3. Base de usuários e uso global
  4. Novo modelo de fala Ear-3
  5. Origem da ideia e trajetória dos fundadores

Funcionamento e diferenciais

Com permissão explícita, o TwinMind captura falas do ambiente — reuniões, aulas ou conversas cotidianas — e as estrutura como memória pesquisável. O processamento local elimina a necessidade de enviar arquivos de áudio para servidores externos; os trechos são descartados logo após a transcrição, permanecendo apenas o texto armazenado no aparelho. Há opção de backup criptografado na nuvem para recuperação em caso de perda do dispositivo.

Para manter o áudio ativo continuamente no iPhone, a equipe desenvolveu um serviço em Swift de baixo nível. Segundo George, rivais que utilizam frameworks híbridos e processamento em nuvem enfrentam limites de execução em segundo plano impostos pela Apple. O TwinMind também oferece tradução em tempo real em mais de 100 idiomas.

Extensão para navegador

Além do aplicativo, a empresa disponibiliza uma extensão para Chrome que coleta contexto adicional a partir das abas abertas. Mediante visão computacional, a ferramenta interpreta conteúdos de e-mail, Slack, Notion e outras plataformas. O recurso foi usado para filtrar 854 candidaturas de estágio; o sistema ranqueou os perfis e ajudou na seleção final de quatro estagiários.

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Base de usuários e uso global

Atualmente, cerca de 30 mil pessoas instalaram o TwinMind, das quais 15 mil são ativas mensalmente. Entre 20% e 30% utilizam a extensão do navegador. Os Estados Unidos concentram a maior parte da base, mas há adesão crescente em Índia, Brasil, Filipinas, Etiópia, Quênia e países europeus. Profissionais representam entre 50% e 60% do público; estudantes somam cerca de 25%, e o restante explora o serviço para fins pessoais, como a redação de autobiografias.

Novo modelo de fala Ear-3

Em paralelo ao aporte, a startup apresentou o Ear-3, modelo de reconhecimento de voz que sucede o Ear-2 e suporta mais de 140 idiomas. De acordo com a companhia, o novo sistema registra taxa de erro de palavras de 5,26% e falha de diarização de falantes de 3,8%. Construído a partir de diversos modelos abertos e treinado em podcasts, vídeos e filmes anotados, o Ear-3 custará US$ 0,23 por hora de áudio via API destinada a desenvolvedores e empresas.

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Imagem: Internet

Por exigir processamento intensivo, o Ear-3 opera na nuvem; se a conexão falhar, o aplicativo alterna automaticamente para o Ear-2, que funciona 100% offline. Com o lançamento, chega também a assinatura TwinMind Pro, a US$ 15 mensais, oferecendo janela de contexto de até dois milhões de tokens e suporte por e-mail em 24 horas. A versão gratuita permanece disponível, com transcrições ilimitadas e reconhecimento de voz local.

Origem da ideia e trajetória dos fundadores

George concebeu o conceito em 2023, enquanto atuava como vice-presidente e líder de IA aplicada no JPMorgan. Durante sequências de reuniões, criou um script que capturava áudio no iPad, transcrevia e enviava o texto ao ChatGPT, obtendo resumos e até trechos de código. O experimento gerou interesse em fóruns profissionais, motivando a criação de um aplicativo que funcionasse discretamente no celular pessoal.

Antes do Google X, o CEO concluiu doutorado em aprendizado profundo para astrofísica aos 24 anos e integrou o grupo LIGO vencedor do Nobel, além de ter trabalhado no laboratório de Stephen Wolfram — que, anos depois, fez o primeiro aporte na nova companhia. A rodada seed foi liderada pela Streamlined Ventures, com participação da Sequoia Capital, Wolfram e outros investidores. A equipe possui hoje 11 integrantes e planeja contratar designers e profissionais de desenvolvimento de negócios para ampliar a oferta da API e acelerar a aquisição de usuários.

Com o capital recém-levantado, o TwinMind pretende refinar a experiência de uso, expandir a infraestrutura do Ear-3 e consolidar sua proposta de servir como memória digital contínua sem comprometer a privacidade de quem o utiliza.

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