Exowatt capta US$ 50 mi para energia barata em data centers

Exowatt, startup que desenvolve baterias térmicas de “rochas quentes” para abastecer centros de dados de inteligência artificial, captou mais US$ 50 milhões em uma extensão da rodada Série A, mirando oferecer eletricidade a apenas um centavo por quilowatt-hora.

O novo aporte eleva o total da Série A para US$ 120 milhões. O cheque foi liderado por MVP Ventures e 8090 Industries, com participação de Atomic, BAM, Bay Bridge Ventures, DeepWork Capital, Dragon Global, Florida Opportunity Fund, Massive VC, New Atlas Capital, Overmatch, Protagonist e StepStone. Entre os investidores já conhecidos estão Andreessen Horowitz e Sam Altman, CEO da OpenAI.

Exowatt capta US$ 50 mi para energia barata em data centers

Segundo o cofundador e CEO Hannan Happi, a empresa não planejava buscar capital adicional tão cedo, mas a forte demanda do mercado e o interesse de fundos estratégicos levaram à ampliação do round em termos mais vantajosos. A fila de pedidos da companhia soma hoje cerca de 10 milhões de unidades do módulo P3, equivalentes a 90 GWh de capacidade instalada.

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Cada módulo P3 possui o tamanho de um contêiner marítimo. Na parte superior, lentes concentram a luz do sol em um feixe que aquece um tijolo especial dentro da caixa metálica. Atingidas altas temperaturas, essas “rochas” armazenam calor por até cinco dias. Um ventilador direciona o ar quente a um segundo compartimento que abriga um motor Stirling e um gerador elétrico, produzindo energia de forma contínua, inclusive à noite ou em períodos nublados.

A tecnologia, conhecida como energia solar concentrada ou solar térmica, existe há décadas. Contudo, a aposta da Exowatt é industrializar o conceito com módulos padronizados, simplificando logística, manutenção e, principalmente, escala de produção. “Quando alcançarmos um milhão de unidades fabricadas por ano, chegaremos à meta de US$ 0,01/kWh”, afirmou Happi.

De acordo com o executivo, a eficiência térmica do sistema é comparável à dos painéis fotovoltaicos atuais e ligeiramente superior quando estes são acoplados a baterias de íon-lítio. Além disso, aumentar a potência instalada ocorre de forma linear: basta adicionar mais P3 em série até alimentar o gerador necessário ao data center.

Esse design modular contrasta com projetos tradicionais de energia solar concentrada, geralmente construídos sob medida em grandes plantas. O desafio, reconhece Happi, é a disponibilidade de terreno: alimentar um único centro de dados pode exigir vastas áreas em regiões de alta insolação. Ainda assim, ele vê forte correlação entre os locais ideais para o P3 e onde grandes infraestruturas de IA estão sendo erguidas.

Casos anteriores de solar térmica não conseguiram competir em custo com combinação de fotovoltaica e baterias de íon-lítio, cujo preço caiu mais rápido que o previsto pela indústria. A Exowatt aposta que, ao aplicar curvas de aprendizado típicas da manufatura em massa — semelhantes às de produção de painéis solares, que já ultrapassam 1,5 bilhão de unidades por ano — conseguirá inverter esse cenário.

Embora o alvo inicial sejam data centers, a solução também pode abastecer indústrias que demandam calor constante ou redes elétricas remotas. Para especialistas como os da Agência Internacional de Energia, sistemas de armazenamento térmico têm potencial relevante para reduzir a intermitência das renováveis, mas dependem de avanços de escala e custos para se tornarem competitivos.

No curto prazo, a Exowatt trabalha para acelerar a linha de montagem dos P3. O cronograma prevê alcançar “milhões, e depois bilhões” de unidades produzidas anualmente. O CEO não revelou datas específicas, mas reforçou que o ritmo de entrega vai determinar quão rápido a empresa tocará o preço-alvo de um centavo por quilowatt-hora, valor considerado disruptivo para o mercado de hospedagem de dados de IA.

A entrada de Sam Altman no quadro de investidores reforça o elo com empresas de inteligência artificial, cujo consumo de energia cresce exponencialmente. O uso de modelos generativos e treinamento de algoritmos em larga escala exige servidores de alto desempenho, impulsionando a busca por fontes de energia limpa, confiável e de baixo custo.

A corrida por soluções energéticas sustentáveis para data centers ganhou tração global. Gigantes como Google, Microsoft e Amazon fixaram metas de operação carbono-zero e estão investindo em eólicas, solares e até reatores nucleares modulares. Caso a tecnologia de “rochas em caixa” prove viável economicamente, poderá se somar a esse portfólio, oferecendo geração 24/7 sem emissão de carbono.

Em resumo, o novo aporte de US$ 50 milhões consolida a estratégia da Exowatt de acelerar a produção do P3 e atingir escala industrial. Se cumprir a promessa de energia solar contínua a custo ultrabaixo, a startup poderá transformar não apenas o segmento de centros de dados, mas todo o mercado de energia renovável.

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Crédito da imagem: Divulgação

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