Google Cloud mira startups de IA para liderar mercado

Google Cloud mira startups de IA para liderar mercado — em meio a acordos bilionários que concentram infraestrutura de inteligência artificial nas mãos de poucos players, a unidade de nuvem da Alphabet aposta em conquistar empresas emergentes antes que elas se tornem gigantes difíceis de seduzir.

A estratégia, capitaneada pelo recém-chegado COO Francis deSouza, contrasta com movimentos como o investimento de US$ 100 bilhões entre Nvidia e OpenAI, anunciado nesta segunda-feira. Enquanto rivais fecham contratos de valores estratosféricos, o Google prefere distribuir créditos, suporte técnico e acesso a seu stack completo de IA para cultivar futuros unicórnios.

Google Cloud mira startups de IA para liderar mercado

Segundo deSouza, nove dos dez principais laboratórios de IA já utilizam a infraestrutura da companhia. Ele afirma ainda que 60% das startups de geração de texto e imagem no mundo rodam sobre o Google Cloud e que há US$ 58 bilhões em compromissos de receita assinados para os próximos dois anos—mais que o dobro do ritmo atual.

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Os números ganham relevância à medida que Microsoft, Amazon, Oracle e até Meta firmam pactos multibilionários para garantir chips e poder computacional exclusivos. O acordo Nvidia-OpenAI é apenas o mais recente de uma série que inclui o aporte de US$ 14 bilhões da Microsoft na criadora do ChatGPT, US$ 8 bilhões da Amazon na Anthropic e um contrato de US$ 30 bilhões entre Oracle e OpenAI, com previsão de saltar para US$ 300 bilhões entre 2027 e 2032.

Diante desse cenário, o Google não permanece parado. Em vez de brigar pelos atuais líderes, a empresa fecha parcerias com nomes menos conhecidos, como Loveable e Windsurf, classificados por deSouza como “a próxima geração” de empresas de IA. O pacote inclui até US$ 350 mil em créditos de nuvem, orientação de equipes técnicas e oportunidades de go-to-market via marketplace.

O executivo descreve a oferta como uma “pilha de IA sem concessões”: dos chips às aplicações, passando por modelos como Gemini e acesso a GPUs e TPUs proprietárias. Recentemente, reportagens revelaram que a companhia negocia instalar seus processadores de IA em data centers de terceiros, incluindo um acordo de até US$ 3,2 bilhões com a britânica Fluidstack para financiar um campus em Nova York.

Equilibrar o papel de fornecedor e concorrente não é uma tarefa simples. O Google Cloud hospeda modelos da Anthropic e fornece TPUs para a própria OpenAI, mesmo enquanto desenvolve seus próprios sistemas. Documentos judiciais apontam que a Alphabet detém 14% da Anthropic, fato lembrado por deSouza, que prefere enfatizar o “jardim de modelos” disponível na Vertex AI.

Essa postura de “Suíça da IA” tem raízes em iniciativas de código aberto, como o Kubernetes e o artigo “Attention Is All You Need”, que popularizou o transformer. Mais recentemente, a empresa divulgou o protocolo Agent-to-Agent (A2A) para comprovar seu compromisso contínuo com a abertura, ainda que reconheça o risco de que terceiros criem soluções concorrentes sobre sua tecnologia.

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Imagem: Internet

A ofensiva ocorre em meio a pressões regulatórias. Neste mês, o juiz federal Amit Mehta determinou restrições à atuação da Google no mercado de buscas, mas evitou sanções que poderiam travar seus investimentos em IA. Mesmo assim, críticos temem que o amplo domínio de dados de pesquisa ofereça vantagem desleal na construção de modelos.

DeSouza prefere destacar potenciais benefícios sociais. Ele menciona pesquisas sobre Alzheimer, Parkinson e mudanças climáticas que podem avançar a partir do poder computacional do Google Cloud. “Queremos liderar as tecnologias que possibilitarão essas descobertas”, diz.

Em reportagem do The New York Times, especialistas avaliam que a postura de plataforma aberta pode favorecer a empresa em futuras audiências antitruste, ao demonstrar estímulo à competição em vez de dominação de mercado.

Resta saber se a estratégia de apostar em promessas, e não apenas em gigantes, renderá frutos. Se os cálculos de deSouza estiverem corretos, capturar o próximo unicórnio hoje pode valer mais que garantir contratos bilionários, porém não exclusivos, amanhã.

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Crédito da imagem: Klaudia Radecka/NurPhoto / Getty Images

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