IA sul-coreana mira superar OpenAI e Google

IA sul-coreana mira superar OpenAI e Google ao receber um pacote estatal de 530 bilhões de wons (cerca de US$ 390 milhões) destinado a impulsionar modelos de linguagem de grande porte desenvolvidos no próprio país. O programa, anunciado pelo Ministério da Ciência e TIC, visa reduzir a dependência tecnológica externa, reforçar a segurança de dados e projetar Seul como hub global de inteligência artificial.
Na primeira rodada, cinco grupos foram selecionados: LG AI Research, SK Telecom, Naver Cloud, NC AI e a startup Upstage. A cada seis meses, o governo avaliará o desempenho do quinteto, cortará os que ficarem para trás e manterá o financiamento apenas dos mais promissores, até restarem dois líderes na corrida pela chamada IA soberana.
- IA sul-coreana mira superar OpenAI e Google
- LG aposta em eficiência e dados industriais
- SK Telecom integra IA ao dia a dia de 10 milhões de usuários
- Naver Cloud exibe pilha completa, do data center ao aplicativo
- Upstage quer eficiência máxima e impacto empresarial
- Contexto geopolítico e segurança de dados
- Desafios: capital intensivo e retenção de talentos
IA sul-coreana mira superar OpenAI e Google
O formato competitivo pretende acelerar a inovação. Cada participante traz um diferencial estratégico, desde acesso privilegiado a dados industriais até infraestrutura de telecomunicações ou foco extremo em eficiência energética. A seguir, os principais trunfos de cada candidato na disputa contra OpenAI, Google, Anthropic e demais gigantes.
LG aposta em eficiência e dados industriais
Divisão de P&D do conglomerado LG, a LG AI Research desenvolveu o modelo híbrido Exaone 4.0, com 32 bilhões de parâmetros. Segundo o co-diretor Honglak Lee, o objetivo não é “gastar mais GPUs”, e sim “gastar de forma mais inteligente”. Para isso, a empresa explora conjuntos de dados do mundo real em biotecnologia, materiais avançados e manufatura, refinando a curadoria antes do treinamento para extrair valor prático que modelos genéricos não entregam.
A estratégia inclui disponibilizar o Exaone via APIs, usando o tráfego dos parceiros para retroalimentar o modelo e acelerar a evolução. “Quando nossos modelos melhoram, os parceiros oferecem serviços melhores, geram mais valor econômico e retornam dados ainda mais ricos”, afirma Lee.
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SK Telecom integra IA ao dia a dia de 10 milhões de usuários
Maior operadora móvel do país, a SK Telecom lançou em 2023 o agente pessoal A. (pronuncia-se “A-dot”) e, em julho, apresentou o A.X 4.0, construído sobre o modelo aberto Qwen 2.5, da Alibaba Cloud. Disponível em versões de 72 e 7 bilhões de parâmetros, o A.X 4.0 processa entradas em coreano 33% mais rápido que o GPT-4o, de acordo com a companhia.
A força da SK está no ecossistema: dados de navegação, chamadas e mobilidade alimentam casos de uso como resumos de ligações e anotações automáticas. Até agosto de 2025, o serviço A. já havia superado 10 milhões de assinantes. Para escalar, a tele aposta no serviço GPUaaS — maior oferta de GPUs do país — e na construção de um datacenter hiperescalável com a AWS, além de parcerias acadêmicas, como o projeto MGAIC com o MIT, voltado à manufatura avançada e semicondutores.
Pioneira local em internet, a Naver Cloud lançou o HyperClova em 2021 e o atualizou para HyperCLOVA X dois anos depois. O portfólio inclui o chatbot CLOVA X, o buscador generativo Cue e, mais recentemente, o modelo multimodal HyperCLOVA X Think. A empresa destaca possuir uma “pilha de IA completa”: cria o modelo do zero, opera data centers próprios e integra a tecnologia a serviços de busca, compras, mapas e finanças.
A vantagem competitiva é o first-party data. O Guia de Compras por IA usa tendências reais de consumo para recomendar produtos, enquanto o CLOVA Carecall faz checagens proativas em idosos que vivem sozinhos. Para a Naver, vencer gigantes globais depende menos de “tamanho” e mais de “sofisticação”, combinado a capital para escalar.
Upstage quer eficiência máxima e impacto empresarial
Única startup entre os escolhidos, a Upstage ganhou visibilidade com o Solar Pro 2, modelo de 31 bilhões de parâmetros reconhecido como “frontier model” pela Artificial Analysis. Mesmo menor que rivais de 100–200 bilhões, o Solar Pro 2 superou concorrentes em benchmarks coreanos e, segundo o vice-presidente Soon-il Kwon, custaria bem menos para operar.
O plano é alcançar 105% do desempenho global em língua coreana, desenvolvendo submodelos verticalizados para finanças, direito e medicina e fomentando um ecossistema liderado por startups nativas de IA. “Nosso foco é impacto real de negócios, não apenas pontuação em testes”, afirma Kwon.
Imagem: Shutterstock
Contexto geopolítico e segurança de dados
Além de competição econômica, a iniciativa reflete preocupações de soberania tecnológica. Ao manter modelos e dados dentro do território nacional, o governo sul-coreano busca proteger informações sensíveis e evitar dependência de provedores estrangeiros. Estudos da OCDE indicam que países com forte capacidade doméstica em IA tendem a capturar maior valor agregado e garantir maior privacidade aos cidadãos.
O projeto de ₩530 bilhões ainda prevê revisões semestrais, o que pode ajustar o fluxo de recursos de forma ágil, recompensando avanços concretos e penalizando atrasos. Esse formato de “fundo de torneio” é inspirado em programas de defesa, onde a competição induz velocidade e eficiência.
Desafios: capital intensivo e retenção de talentos
Embora robusto, o investimento público representa apenas fração dos bilhões que OpenAI, Google ou Meta destinam anualmente a IA. A Coreia do Sul, portanto, privilegia eficiência de computação e domínio de caso de uso local. Outra dificuldade é reter engenheiros especializados, atraídos por salários de big techs estrangeiras.
Para mitigar esses riscos, empresas como LG e SK Telecom adotam parcerias acadêmicas e aceleram programas de formação interna, enquanto Naver e Upstage oferecem participação acionária para alinhar incentivos de longo prazo.
Mesmo com obstáculos, especialistas veem janela de oportunidade. O mercado coreano é linguisticamente homogêneo e digitalizado, fatores que favorecem a coleta de dados de alta qualidade e a experimentação rápida de produtos.
Em síntese, a corrida sul-coreana por uma IA soberana demonstra que escala não é o único caminho para desafiar gigantes globais. Ao unir capital direcionado, dados locais e foco em eficiência, LG, SK, Naver, Upstage e NC AI querem provar que inovação orientada ao contexto pode redefinir a hierarquia da inteligência artificial.
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Crédito da imagem: TechCrunch
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