Uso do modelo de imagem “Nano Banana” impulsiona app Gemini na Índia e gera tendências locais

O modelo de geração de imagens Gemini 2.5 Flash Image, popularmente chamado de “Nano Banana”, tornou-se o principal motor de crescimento do aplicativo Gemini desde o lançamento da funcionalidade, no mês passado. A Índia assumiu a liderança mundial em volume de uso, de acordo com David Sharon, responsável por geração multimodal para o Gemini Apps no Google DeepMind, em sessão com a imprensa nesta semana.

Com a nova ferramenta, o app passou ao topo dos rankings de downloads gratuitos tanto na App Store quanto no Google Play no país, posição que também se repetiu em listas globais, segundo dados da consultoria Appfigures. O desempenho reflete o tamanho do mercado indiano — segundo maior em smartphones e usuários de internet, atrás apenas da China —, mas chama atenção sobretudo pela forma como a tecnologia vem sendo explorada: milhões de indianos criam conteúdos que misturam referências culturais locais e abordagens visualmente criativas, muitas delas não previstas pela própria empresa.

Entre os usos que mais se destacam estão retratos inspirados em produções de Bollywood dos anos 1990. Usuários recriam a própria aparência em versões que incluem roupas, penteados e maquiagem típicos daquela década. A variação conhecida como “AI saree” aplica o mesmo conceito a trajes tradicionais indianos, gerando imagens com estética vintage.

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Outra prática recorrente envolve a inserção de selfies em cenários de cartões-postais internacionais, como o Big Ben ou antigas cabines telefônicas britânicas. Há ainda quem transforme objetos cotidianos, produza efeitos de viagem no tempo ou se represente como selos postais retro em preto e branco. Parte dessas ideias surgiu fora da Índia, mas ganhou repercussão global depois de ganhar popularidade no país. É o caso da tendência “figurine”, que cria versões em miniatura do usuário, originalmente vista na Tailândia, depois na Indonésia e, enfim, espalhada mundialmente após alcançar o público indiano.

Para além das imagens estáticas, indianos vêm testando o modelo de vídeo Veo 3 dentro do Gemini para gerar clipes curtos a partir de fotos antigas de familiares, especialmente avós e bisavós. A variedade de aplicações contribuiu para o volume de instalações. Entre janeiro e agosto, o aplicativo registrou média mensal de 1,9 milhão de downloads na Índia — 55% acima do total nos Estados Unidos — e respondeu por 16,6% dos downloads globais no período.

Em números acumulados, o país somou 15,2 milhões de instalações até agosto, enquanto os EUA alcançaram 9,8 milhões. O lançamento do Nano Banana gerou novo salto: em 1º de setembro, foram 55 mil downloads diários; em 13 de setembro, o pico chegou a 414 mil, alta de 667%. Desde 10 de setembro, o Gemini ocupa a primeira colocação geral na App Store e, desde 12 de setembro, no Google Play, também considerando todas as categorias.

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Imagem: Internet

Apesar da liderança em downloads, a Índia não aparece à frente em gastos dentro do aplicativo. O Gemini acumulou US$ 6,4 milhões em receita global de usuários iOS desde o lançamento; os EUA respondem por US$ 2,3 milhões (35%), e a Índia, por US$ 95 mil (1,5%). Ainda assim, o mercado indiano apresentou crescimento de 18% nos gastos entre 1º e 16 de setembro, totalizando US$ 13 mil, superando a média global de 11% e a variação inferior a 1% observada nos Estados Unidos.

A popularidade do recurso também traz questionamentos sobre privacidade, já que muitos usuários enviam fotos pessoais para transformá-las. Segundo Sharon, quando uma solicitação é feita, a equipe procura atendê-la sem presumir a intenção por trás do pedido, mas trabalha para reduzir riscos de uso inadequado. Todas as imagens obtidas por meio do Nano Banana recebem uma marca-d’água visível em formato de diamante e um marcador oculto pelo sistema SynthID, que permite identificar conteúdo gerado por IA.

O Google testa ainda uma plataforma de detecção com pesquisadores e especialistas externos e planeja liberar uma versão para consumidores, a fim de possibilitar que qualquer pessoa verifique se determinado material foi criado por inteligência artificial. “Estamos no primeiro dia; continuamos aprendendo”, afirmou Sharon, indicando que ajustes futuros dependerão do retorno de usuários, imprensa, meio acadêmico e demais interessados.

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