Jack Dorsey financia diVine, novo Vine com 150 mil vídeos

Jack Dorsey financia diVine, aplicativo que promete ressuscitar o formato de vídeos de seis segundos popularizado pelo Vine, colocando no ar mais de 100 000 gravações originais e barrando conteúdos gerados por inteligência artificial (IA). Disponível a partir desta quinta-feira (data de lançamento informada), o serviço chega para iOS e Android como alternativa nostálgica às redes dominadas por algoritmos opacos e posts automatizados.
O projeto, mantido pela organização sem fins lucrativos “and Other Stuff”, criada por Dorsey em maio de 2025, oferece não apenas um passeio pela memória afetiva: usuários poderão abrir perfis, recuperar contas antigas e publicar novos Vines. A grande diferença, segundo os responsáveis, é a identificação automática de uploads suspeitos de terem sido produzidos por IA, evitando que eles sejam exibidos.
Jack Dorsey financia diVine, novo Vine com 150 mil vídeos
Para viabilizar o relançamento, Evan Henshaw-Plath, conhecido como Rabble e um dos primeiros funcionários do Twitter, vasculhou um backup realizado pelo Archive Team em 2016, quando o Vine foi descontinuado. O grupo havia armazenado todo o acervo em arquivos binários gigantescos — entre 40 GB e 50 GB cada — praticamente inacessíveis para o público. Após escrever scripts de big data por alguns meses, Rabble reconstruiu os vídeos, os perfis dos antigos criadores e até parte dos comentários e visualizações originais.
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Segundo Rabble, o app reúne entre 150 000 e 200 000 vídeos de aproximadamente 60 000 criadores, contemplando a maior parte dos conteúdos mais populares do Vine. Ainda assim, milhões de clipes de nicho — como muitos voltados a K-pop — ficaram de fora, pois jamais foram arquivados. O desenvolvedor lembra que, no auge, o Vine somava alguns milhões de usuários ativos e criadores recorrentes.
A titularidade das obras continua pertencendo aos autores originais. Caso desejem, eles podem solicitar a retirada de seus Vines via requerimento DMCA ou demonstrar que ainda controlam as contas listadas nas bios antigas. O processo não é automatizado, portanto pode haver fila de espera se muitos pedidos forem enviados simultaneamente. Uma vez validada a titularidade, o criador pode manter seus vídeos no ar, publicar novos ou reinserir materiais que não foram recuperados.
Para garantir que os novos uploads sejam realmente humanos, o diVine adota tecnologia da ONG Guardian Project, especializada em direitos humanos digitais. O sistema verifica metadados do arquivo e confirma se o vídeo foi gravado em smartphone, impedindo que geração sintética passe pelo filtro. Com isso, os desenvolvedores esperam preservar a autenticidade que marcou o Vine original.
Outro pilar do serviço é a infraestrutura descentralizada. O diVine foi construído sobre o protocolo aberto Nostr, preferido por Dorsey, permitindo que qualquer desenvolvedor crie apps próprios, hospede servidores e configure relays independentes. Em comunicado, o cofundador do Twitter destacou que “protocolos sem permissão não podem ser desligados ao sabor de um proprietário corporativo”, reforçando a aposta em modelos abertos. Mais detalhes podem ser conferidos na cobertura do TechCrunch, que entrevistou Rabble.
Imagem: Internet
Enquanto isso, Elon Musk — atual dono do X, ex-Twitter — também prometeu ressuscitar o Vine desde agosto, afirmando ter localizado o antigo acervo da plataforma. Apesar do anúncio, nenhuma solução foi disponibilizada ao público até agora. A equipe do diVine acredita que o uso de material proveniente de um arquivo aberto e o respeito aos direitos autorais configuram fair use, permitindo o lançamento sem entraves legais.
Rabble aposta que há demanda por uma experiência social livre de IA, mesmo com a popularidade de modelos generativos como Sora, da OpenAI, e Meta AI. “As empresas enxergam o engajamento com IA e acham que as pessoas querem isso. Nós também queremos autonomia sobre nossas vidas e nossas redes sociais”, afirmou o desenvolvedor, citando a nostalgia pela era Web 2.0, quando comunidades cresciam de forma orgânica, sem “gamificar” algoritmos.
Quem quiser experimentar o retorno dos loops de seis segundos já pode baixar o diVine em aparelhos iOS e Android ou acessar a versão web em diVine.video. O aplicativo é gratuito e seu código-fonte está disponível publicamente, seguindo a filosofia open source defendida por Dorsey e pelos colaboradores do projeto.
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Crédito da imagem: daVine
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