Kevin Rose planeja comunidades sociais confiáveis na nova Digg

Kevin Rose, fundador do Digg, voltou aos holofotes ao defender a criação de comunidades sociais confiáveis em uma internet cada vez mais tomada por bots. Durante o TechCrunch Disrupt 2025, o empreendedor explicou como a nova versão da plataforma pretende combinar verificação de usuários por zero-knowledge proofs (ZKPs) e remuneração de moderadores para garantir ambientes digitais seguros.
A teoria de que “a internet está morta”, popularizada por Alexis Ohanian (Reddit), serviu de gatilho para que ambos unissem forças. Em 2024, Rose e Ohanian compraram os ativos remanescentes do antigo Digg, site de agregação de notícias ícone da era Web 2.0, com o propósito de reconstruí-lo para a era da inteligência artificial.
Kevin Rose planeja comunidades sociais confiáveis na nova Digg
Segundo Rose, a próxima geração de redes sociais precisará se apoiar em “microcomunidades protegidas”, onde cada usuário seja inequivocamente humano. “À medida que o custo para implantar agentes de IA cai a quase zero, veremos bots agindo como pessoas”, alertou. A chave, afirma, é “prova de batimento cardíaco” — ou, em termos práticos, um mecanismo de verificação que assegure haver alguém real atrás da tela.
Zero-knowledge proofs garantem privacidade e autenticidade
A alternativa proposta pelo Digg foge de métodos tradicionais, como reconhecimento facial, upload de documentos de identidade ou cobranças simbólicas no cartão de crédito. Em vez disso, a plataforma estuda adotar ZKPs, técnica criptográfica que confirma informações essenciais sem expor dados pessoais. O usuário comprova, por exemplo, pertencer a um grupo específico sem revelar sua identidade.
Rose ilustrou o conceito com um caso prático: numa comunidade de proprietários do anel inteligente Oura, o moderador poderia exigir a comprovação de posse do dispositivo antes de autorizar publicações. O membro, então, participaria como “usuário verificado” sem precisar exibir nome real, algo valioso em fóruns sobre temas sensíveis ou de saúde.
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Moderadores reconhecidos como co-criadores de valor
Outro pilar da nova Digg é a remuneração dos moderadores. Rose recordou que, quando lançou o site em 2004 (antes mesmo da estreia do Reddit), milhares de pessoas contribuíam sem receber nada. O cenário se repete hoje: em grandes subreddits, voluntários trabalham praticamente em tempo integral para conter spam e moderar discussões, mas não participam das receitas nem possuem controle sobre a base de usuários.
Esse desequilíbrio ficou evidente quando comunidades populares viraram marcas registradas, impedindo seus criadores de aproveitar comercialmente o próprio nome — como ocorreu com o r/WallStreetBets, citado por Rose. “Se alguém cria valor, deveria levar uma fatia desse valor”, defendeu, indicando que o Digg pretende adotar modelo mais próximo de Substack ou Patreon, onde o anfitrião detém maior autonomia e pode monetizar o público.
Proteção contra bots exige redes menores e confiáveis
A preocupação não é exclusiva do Digg. Estudo recente citado pela MIT Technology Review mostra que ferramentas de IA generativa já conseguem produzir textos, imagens e perfis sociais praticamente indistinguíveis dos humanos, ampliando fraudes e desinformação. Para Rose, a saída é limitar o escopo e fortalecer a confiança interna: “Comunidades pequenas, bem moderadas e com provas de humanidade serão o futuro da socialização online”.
Imagem: Getty
O que esperar da nova Digg nos próximos meses
Embora ainda sem data oficial de relançamento, a plataforma deverá estrear com recursos de verificação via ZKP, painel de remuneração para moderadores e estrutura de governança que permita portar listas de e-mails ou migrar o público para outros serviços. A proposta é evitar que criadores fiquem reféns de políticas mutáveis ou corram o risco de expulsão arbitrária, problema comum em grandes redes.
Rose acredita que, ao combinar tecnologia de ponta e incentivos financeiros, o Digg pode tornar-se referência em confiança digital. “Queremos dar às pessoas um lugar onde saibam que estão falando com humanos e que seu trabalho é reconhecido”, concluiu.
No cenário atual, marcado por debates sobre IA, privacidade e autoria de conteúdo, a estratégia do Digg sinaliza um caminho possível para redes sociais sustentáveis. Se conseguir equilibrar verificação sem invasão de privacidade e ainda remunerar quem mantém a casa em ordem, a iniciativa poderá redefinir a relação entre plataformas, criadores e usuários.
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Crédito da imagem: Getty Images for TechCrunch / Getty Images
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