Lei Europeia de Acessibilidade impulsiona DevAlly

Lei Europeia de Acessibilidade impulsiona DevAlly — A entrada em vigor, em junho, da Lei Europeia de Acessibilidade (EAA, na sigla em inglês) já começa a redesenhar o mercado de conformidade digital no continente. Entre as primeiras beneficiadas está a DevAlly, startup irlandesa que acaba de levantar €2 milhões em rodada pré-seed para acelerar soluções que identificam e corrigem barreiras de navegação em sites, apps e plataformas de e-commerce.

O novo regulamento obriga empresas que vendem produtos ou serviços aos 450 milhões de consumidores da União Europeia a oferecer experiências acessíveis. Grandes corporações, segundo o fundador da DevAlly, Cormac Chisholm, chegaram a procurar a startup “duas semanas antes do prazo” alegando desconhecer a exigência—um cenário que lembra a corrida do mercado para se adequar ao GDPR em 2018.

Lei Europeia de Acessibilidade impulsiona DevAlly

Lançada em 2024, a DevAlly audita conteúdos como vídeos sem legendas, monitora reclamações de usuários, gera relatórios de acessibilidade e cria rotas de correção. Embora conte com especialistas humanos, a empresa aposta em inteligência artificial e modelos de linguagem treinados em acessibilidade para escalar testes automatizados, integrando conformidade ao ciclo de desenvolvimento de produto.

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A abordagem “tech-first” segue trilha semelhante à da Vanta, unicórnio de compliance cibernético avaliado em US$ 2,45 bilhões. Para a DevAlly, os ventos regulatórios e a crescente conscientização sobre design inclusivo abriram caminho para captar €2 milhões (cerca de US$ 2,3 milhões), conforme apurou o TechCrunch.

O aporte foi liderado pelo fundo belga Miles Ahead Capital, com participação de investidores-anjo europeus, da aceleradora NDRC e da agência estatal Enterprise Ireland. Chisholm e o cofundador Patrick Guiney conheceram o investidor-líder durante a competição de startups do evento Slush, na qual ficaram entre os três primeiros colocados.

Com o capital, o time passará de cinco para quinze colaboradores até dezembro, majoritariamente em Dublin, onde a empresa participou do programa da NDRC operado pela Dogpatch Labs. “Tradicionalmente, startups irlandesas buscam VCs locais, mas escolhemos um fundo europeu e estamos animados para descobrir o que isso destrava”, afirmou Chisholm.

A Miles Ahead também financiará a entrada nos Estados Unidos, começando por vendas em São Francisco. A cidade foi estratégica para a DevAlly durante o TechCrunch Disrupt 2024, onde a empresa competiu no Startup Battlefield e fez contatos com diretores de acessibilidade de grandes fornecedores de software B2B. “Boa parte de nossos clientes já está na Costa Oeste”, disse Guiney.

Além da DevAlly, outras empresas surfam a demanda criada pela EAA, como a espanhola QualiBooth, que recentemente analisou a acessibilidade do e-commerce europeu — varejo é um dos focos da lei. Nos EUA, a DevAlly aposta que processos de compras governamentais e corporativas puxarão a adoção de padrões inclusivos.

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Imagem: Internet

Os incentivos econômicos também são robustos. Estimativas citadas por Chisholm indicam que consumidores com deficiência e suas famílias movimentam US$ 8 trilhões anuais em renda disponível. “Uma em cada cinco pessoas vive com algum grau de deficiência, e isso pode ser situacional: quem tenta ler a tela sob sol forte ou segura um bebê tem necessidades similares”, explicou o executivo, defendendo o design universal.

As ações de adequação vão do suporte a leitores de tela ao aumento de contraste e uso de gradientes visíveis para daltônicos. Contudo, análise da agência Tenscope mostrou que 94% dos 1.000 sites mais visitados dos EUA falham em requisitos básicos. O setor de viagens teve o pior desempenho, chegando a impedir usuários de preencher formulários, abrir contas ou finalizar compras. Mesmo antes da EAA, a aérea espanhola Vueling foi multada por site inacessível.

Agora, com multas variáveis por jurisdição, gigantes de tecnologia que atuam em vários países podem buscar ajuda externa. “Queremos ser a ponte para essas empresas americanas entrarem em conformidade na Europa”, disse Chisholm. Para ele, todos se beneficiam: “Legendas na Netflix, por exemplo, viraram um avanço de uso geral. Acessibilidade é simplesmente um design melhor.”

Para conhecer detalhes oficiais da legislação, consulte a Comissão Europeia, responsável pela coordenação da EAA nos 27 Estados-membros.

Se você se interessa por estratégias de inclusão digital e quer aprofundar seus conhecimentos, visite nossa editoria de Tecnologia e Inovação e acompanhe as próximas análises. Até lá, mantenha-se atualizado e impulsione seus projetos com boas práticas de acessibilidade.

Crédito da imagem: TechCrunch

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