Lincoln Center apresenta segunda turma de bolsistas que investigam o uso de tecnologia nas artes cênicas

O Lincoln Center for the Performing Arts, em Nova York, anunciou a segunda edição da Collider Fellowship, iniciativa que oferece apoio a artistas interessados em explorar o impacto de tecnologias emergentes em apresentações ao vivo. O novo grupo reúne seis profissionais que atuam em áreas como realidade virtual, inteligência artificial e sistemas de som imersivos, e trabalhará durante nove meses em pesquisa, prototipagem e experimentação.

Selecionados por indicação, os bolsistas terão acesso a estúdios no próprio Lincoln Center e no espaço Onassis ONX, além de receberem auxílio financeiro e acompanhamento de equipes da instituição. O programa foi concebido para proporcionar tempo e recursos sem exigir entrega final obrigatória, permitindo que cada artista defina o ritmo de desenvolvimento de suas ideias, desde a construção de protótipos até a pesquisa teórica.

Segundo a vice-presidente de programação do Lincoln Center, Jordana Leigh, a bolsa faz parte de um conjunto de ações que busca apoiar criadores de forma não transacional, concentrando-se na qualidade do processo artístico. A gestora observa que, embora haja receio sobre o papel da tecnologia nas artes, o centro mantém postura otimista quanto ao potencial de ferramentas digitais ampliarem possibilidades expressivas e democratizarem o acesso a diferentes públicos.

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A primeira edição da bolsa, realizada em 2023, resultou em projetos que ainda seguem em fase de amadurecimento. Alguns poderão ser apresentados futuramente em espaços do Lincoln Center, enquanto outros visam formatos digitais capazes de alcançar plateias internacionais. Para Leigh, experiências de realidade virtual, realidade aumentada e ambientes estendidos permanecem no foco, mas a instituição não descarta novas formas de distribuição que possam surgir a partir das pesquisas dos bolsistas.

Artistas selecionados

Cinthia Chen atua como artista multidisciplinar e tecnóloga. Seu trabalho combina performance, instalações e design de projeção para investigar memória, identidades híbridas e futurismo espiritual. A bolsa oferecerá recursos para aprofundar a integração desses elementos com ferramentas digitais.

Sam Rolfes, performer virtual e cofundador do estúdio Team Rolfes, utiliza captura de movimento em apresentações ao vivo, moda, design gráfico e visuais de shows. Entre as colaborações anteriores estão projetos para Lady Gaga, Arca, Metallica e Netflix. Na fellowship, pretende desenvolver novas linguagens de performance em tempo real.

James Allister Sprang foi o primeiro artista sediado nos Estados Unidos a trabalhar com o sistema imersivo 4D Sound. Suas criações exploram linhas temporais diaspóricas e a interioridade negra por meio de experiências sensoriais que combinam som, espaço e narrativa.

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Imagem: Internet

Stephanie Dinkins é artista e educadora transdisciplinar dedicada a temas como raça, histórias do futuro e tecnologias emergentes. Reconhecida pela revista Time na lista das 100 pessoas mais influentes em IA, investiga relações entre algoritmos, representação e comunidade.

Kevin Peter He trabalha na intersecção de cinema, dança e urbanismo. Utilizando motores de jogos, performance e vídeo, examina como estruturas físicas e digitais moldam narrativa e corporeidade. A bolsa permitirá avançar em pesquisas sobre interação entre público e ambiente virtual.

Dr. Rashaad Newsome, participante da Whitney Biennial, combina colagem, performance, IA e robótica para abordar expressões culturais negras e queer. Suas obras dialogam com identidades múltiplas e utilizam algoritmos para criar composições visuais e sonoras dinâmicas.

Os seis artistas começam oficialmente os trabalhos no Lincoln Center ainda neste semestre. Ao longo do período de residência, terão acesso a workshops especializados, sessões de mentoria e oportunidades de intercâmbio com outras iniciativas da instituição. Embora não exista obrigação de apresentar resultados públicos, o centro planeja oferecer plataformas para que experimentos concluídos possam ser exibidos ao vivo ou distribuídos em formatos digitais.

A Collider Fellowship integra uma estratégia mais ampla do Lincoln Center para estimular diálogos entre arte e tecnologia, de modo a refletir a diversidade de perspectivas na criação contemporânea. A expectativa é que a nova turma contribua para repensar modelos de produção, participação do público e formas de circulação de espetáculos em um cenário em rápida transformação.

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