Periodic Labs levanta US$ 300 mi para IA científica

Periodic Labs, nova startup fundada pelos pesquisadores Liam Fedus (ex-OpenAI) e Ekin Dogus Cubuk (ex-Google Brain), anunciou uma rodada seed de impressionantes US$ 300 milhões destinada a acelerar descobertas científicas por meio de inteligência artificial e robótica.
O aporte, liderado pelo fundo Felicis, contou com nomes de peso do Vale do Silício, entre eles Andreessen Horowitz, DST Global, NVentures (braço de venture capital da NVIDIA), Accel e anjos como Jeff Bezos, Elad Gil, Eric Schmidt e Jeff Dean. Os recursos financiarão a criação de um laboratório totalmente automatizado capaz de formular, sintetizar e testar novos compostos em escala.
Periodic Labs levanta US$ 300 mi para IA científica
Fedus e Cubuk decidiram empreender há cerca de sete meses, após concluírem que recentes avanços em braços robóticos, simulações de machine learning e modelos de linguagem generativos (LLMs) tornaram viável integrar todo o processo de descoberta de materiais. Segundo eles, robôs já conseguem manipular pós com precisão, simulações atingiram alta fidelidade para modelar sistemas físicos complexos e LLMs ganharam capacidade de raciocínio para analisar resultados e propor correções.
Por que o momento é propício para a ciência guiada por IA
De acordo com Cubuk, três fatores se alinharam: confiabilidade da robótica de laboratório, maturidade de simulações baseadas em aprendizado de máquina e a evolução de LLMs — área em que Fedus foi peça-chave ao participar da criação do ChatGPT e chefiar a equipe de pós-treinamento da OpenAI. “Unindo essas tecnologias, podemos simular novos compostos, produzir amostras e avaliar os resultados em um ciclo fechado”, explicou o cofundador à TechCrunch.
A ideia ganhou respaldo de experimentos anteriores. Em 2023, Cubuk participou de um estudo do Google que utilizou um laboratório robótico para sintetizar 41 compostos inéditos a partir de receitas sugeridas por modelos de linguagem. Casos como esse reforçam a tese de que, ao agregar dados de sucessos e falhas, a IA pode acelerar a curva de aprendizagem científica — conceito também mencionado em artigo da revista Nature sobre o impacto da automação na pesquisa de novos materiais.
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Frenesi de investidores e formação do super-time
O anúncio da saída de Fedus da OpenAI provocou uma corrida entre fundos de venture capital. Segundo o pesquisador, alguns investidores chegaram a enviar “cartas de amor” descrevendo por que deveriam liderar a rodada. A primeira reunião aconteceu com Peter Deng, ex-colega de OpenAI e agora sócio da Felicis, que se comprometeu a financiar o projeto ainda durante uma caminhada nas colinas de Noe Valley, em São Francisco.
Com o caixa reforçado, a startup já contratou mais de duas dezenas de especialistas de ponta. Entre eles estão Alexandre Passos, cocriador dos modelos o1 e o3; Eric Toberer, físico que fez descobertas relevantes em supercondutividade; e Matt Horton, responsável por duas ferramentas de GenAI desenvolvidas na Microsoft para ciência de materiais. Para integrar conhecimentos de IA, física e química, cada membro ministra semanalmente uma aula em nível de pós-graduação ao restante da equipe.
Imagem: Internet
Infraestrutura e objetivo inicial: novos supercondutores
O laboratório próprio da Periodic Labs está montado e já roda experimentos com dados reais, simulações e testes de previsões de IA. A meta prioritária é identificar supercondutores mais eficientes, capazes de operar a temperaturas mais altas e com menor consumo energético — avanço que poderia revolucionar setores como transmissão de energia e computação de alto desempenho. As células robóticas que farão a manipulação de materiais, contudo, ainda passam por fase de treinamento.
Riscos e cenário competitivo
Apesar da formação estelar e do capital abundante, Fedus reconhece que a descoberta científica permanece incerta. Resultados podem levar anos e o fracasso é parte inerente do processo. Mesmo assim, a empresa aposta que o valor de mercado gerado — seja por novos materiais, seja pelo conjunto de dados coletados — compensará os riscos. A movimentação ocorre enquanto gigantes como a própria OpenAI anunciam unidades dedicadas a “IA para ciência”, sinalizando que a corrida por inovações laboratoriais baseadas em algoritmos está apenas começando.
O investidor que enviou a carta apaixonada não liderou a rodada, mas Fedus afirma ter ficado lisonjeado. Agora, com US$ 300 milhões em caixa e um time multidisciplinar, a Periodic Labs aposta alto na interseção entre IA, robótica e química para redefinir a forma de fazer pesquisa.
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Crédito da imagem: TechCrunch
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