Polars capta US$ 21 mi para ampliar plataforma de dados

Polars capta US$ 21 mi para ampliar plataforma de dados. Polars, startup de Amsterdã que mantém o projeto open source homônimo, levantou €18 milhões (aproximadamente US$ 21 milhões) em rodada Série A liderada pela Accel, com participação da Bain Capital Partners e de investidores-anjo.

O aporte vem apenas dois anos após a formalização da empresa, mas a história do produto começou em 2020, quando o cientista de dados Ritchie Vink, frustrado com as limitações do Pandas, decidiu criar do zero um motor de consultas em Rust. Cinco anos depois, a biblioteca coleciona mais de 24 milhões de downloads e é adotada por equipes de finanças, ciências da vida e logística.

Polars capta US$ 21 mi para ampliar plataforma de dados

Segundo Vink, os recursos da Série A serão destinados principalmente ao desenvolvimento do Polars Distributed, motor distribuído que pretende escalar o processamento de gigabytes para petabytes de dados. A funcionalidade já está em beta público e coloca a companhia em rota de colisão com o Apache Spark, referência de mercado criada pelos fundadores da Databricks.

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Além do módulo distribuído, a startup lançou em fevereiro o Polars Cloud, serviço gerenciado que permite rodar consultas em cluster sem a necessidade de infraestrutura própria. O CEO destaca que a oferta na nuvem fecha a lacuna entre o uso local da biblioteca e a execução em produção, abrindo caminho para monetização recorrente.

Para Zhenya Loginov, sócio da Accel que liderou a rodada, a vantagem competitiva da Polars vai além de ter sido escrita em Rust. “Reescrever algo nesse idioma pode trazer ganhos de performance, mas não sustenta um negócio. O que nos atraiu foi o plano claro de produto e a visão de escalar a qualquer volume de dados”, afirmou.

A tese já havia convencido a Bain Capital, que liderou o seed de US$ 4 milhões em 2023, quando o foco era conquistar a base de usuários do Pandas. No entanto, como o Pandas permanece 100% open source e sem um braço comercial, o retorno financeiro para investidores dependeria de novos serviços — lacuna que Polars Cloud e Polars Distributed procuram preencher.

Ritchie Vink divide a liderança da empresa com Chiel Peters, ex-CTO da Xomnia. Juntos, os fundadores enxergam um mercado “extremamente grande”, nas palavras de Loginov, ao eliminar a barreira entre manipulação de conjuntos de dados pequenos e muito grandes. “Se você processa conjuntos de qualquer tamanho e complexidade, resolve o problema de inúmeras corporações”, analisou o investidor.

Atualmente, a empresa afirma que a versão core do Polars já roda em produção em organizações de setores sensíveis, onde latência e escalabilidade são cruciais. A expansão para serviços gerenciados visa facilitar a adoção por equipes que não querem lidar com a configuração de clusters, liberando cientistas de dados para se concentrar em análises e modelos.

O caso também oferece um aprendizado para outros criadores de projetos open source em busca de receita. “A Polars deu certo porque atacou um problema enorme: a falta de performance nas ferramentas existentes”, resumiu Loginov. Para ele, encontrar uma dor latente e oferecer uma solução moderna continua sendo a melhor rota para transformar código aberto em negócio.

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Imagem: Internet

Com o novo capital, a Polars planeja recrutar engenheiros especializados em sistemas distribuídos e expandir o suporte empresarial, preparando-se para atender clientes que necessitam de contratos de nível de serviço (SLAs) rigorosos. Segundo Vink, a meta é sair da fase beta do módulo distribuído até o início de 2026.

Apesar da competição acirrada no segmento de processamento de dados, a startup holandesa acredita que a combinação de Rust, arquitetura orientada a colunas e abordagem “laptop-to-cluster” oferece ganhos de velocidade que podem atrair usuários do Spark e de outras soluções legadas. Se o plano se concretizar, a Polars poderá repetir no back-end o sucesso que já conquistou entre cientistas de dados individuais.

No curto prazo, o foco está em converter a ampla comunidade open source em clientes pagantes. “A biblioteca continuará gratuita e aberta”, garante Vink, “mas muitas empresas preferem pagar por hospedagem gerenciada, segurança e suporte oficial”.

Para quem acompanha a evolução das ferramentas analíticas, o movimento reflete uma tendência maior: projetos comunitários amadurecem, ganham tração e se transformam em plataformas completas, encurtando o ciclo entre inovação e aplicação corporativa.

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Crédito da imagem: TechCrunch

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