Red Bull Racing aposta em engenheiro para ganhar milésimos

Red Bull Racing aposta em engenheiro para ganhar milésimos — a equipe líder da Fórmula 1 reuniu experiência técnica e inovação corporativa ao nomear Laurent Mekies como CEO. A contratação, há apenas quatro meses, redefiniu rotinas internas que, segundo o executivo, já cortam frações de segundo cruciais tanto nos boxes quanto nos escritórios.
O francês de 48 anos, formado em engenharia pela ESTACA e pela britânica Loughborough University, assumiu o comando de uma estrutura com 2 000 colaboradores após a saída repentina de Christian Horner em julho. Desde então, Mekies tornou prioridade eliminar “ruídos” nos fluxos de trabalho, comparando cada etapa administrativa ao ajuste de um carro em busca da volta perfeita.
Red Bull Racing aposta em engenheiro para ganhar milésimos
Durante participação no Web Summit, em Lisboa, o novo dirigente relatou como a filosofia de desempenho vai além da aerodinâmica. “Cada login, cada acesso a sistema é tempo que poderia ser investido para tornar o carro mais rápido”, declarou. O comentário surgiu ao lado de David Faugno, CEO da 1Password, empresa de cibersegurança que se tornou parceira oficial do time.
Segurança sem atrito vira vantagem competitiva
Mekies explicou que, tradicionalmente, autenticações adicionam segundos indesejados. A proposta com a 1Password foi inverter a lógica: “Em vez de discutir como minimizar perdas, discutimos como ganhar velocidade”. Segundo ele, a integração da plataforma permitiu transitar entre túnel de vento, simulador e pista com logins mais rápidos do que antes, mesmo com maior camadas de proteção.
Para Faugno, a cooperação é mais do que marketing. “Vimos a oportunidade de ajudar a Oracle Red Bull Racing a tirar milésimos do cronômetro”, afirmou. Em um esporte onde mil milésimos podem definir a pole-position, esse detalhe pode significar vitórias. O raciocínio ecoa uma máxima da categoria: somar pequenas margens gera grandes resultados, conceito reforçado pela Formula 1 em seus estudos de competitividade.
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Carreira construída no paddock e além
A trajetória de Mekies inclui passagens por Arrows, Minardi, Toro Rosso e Ferrari, além do cargo de diretor de segurança da FIA, onde ajudou a implementar o halo de titânio que hoje protege a cabeça dos pilotos. Essa vivência de pista, regulamento e gestão molda o estilo discreto do executivo. Quando questionado sobre a vitória de Max Verstappen no GP da Itália de 2025 — a prova mais rápida da história —, respondeu: “Minha contribuição foi zero. Foi mérito da equipe”.
Ele reforça que liderar não é sobre protagonismo, mas sobre “cuidar das pessoas e da cultura”. Essa abordagem coletiva motivou a decisão ousada de continuar desenvolvendo o carro de 2025, mesmo com novas regras chegando em 2026. Enquanto rivais migravam recursos para o futuro, Red Bull Racing quis entender o que não funcionava para reverter resultados ainda este ano.
2026: motor próprio e parceria com a Ford
O próximo grande desafio é construir o primeiro power unit da equipe, em conjunto com a Ford. A estrutura foi erguida do zero em Milton Keynes, contratou 600 especialistas e instalou bancadas de teste em tempo recorde. “Vamos competir contra fabricantes que produzem motores há 90 anos. É o nível de loucura que só a Red Bull encara”, resumiu Mekies.
Mesmo ciente do risco, ele recusa prognósticos fáceis. “Seria ingênuo pensar que chegaremos ao ápice logo de início, mas adotamos o estilo Red Bull: alto risco, alto retorno.” Atualmente, a equipe ocupa o terceiro lugar no Mundial de Construtores, com chances reais de ultrapassar a Mercedes nas três provas restantes de 2025.
Imagem: Internet
Gestão baseada em voltas rápidas
Nos bastidores, a pressão de terminar a temporada em alta não altera o mantra do francês: “Tratamos cada corrida isoladamente. O objetivo é colocar o carro na janela certa e lutar pela vitória”. A confiança, diz, vem do “trabalho tremendo” realizado na fábrica para transformar um início de campeonato difícil em pacote competitivo.
Essa mesma visão orienta processos internos. Reduzir etapas burocráticas, acelerar decisões de engenharia e proteger dados estratégicos formam o tripé que Mekies considera essencial no jogo dos milésimos. Cada acesso otimizado, cada senha automatizada e cada reunião objetiva refletem a obsessão da equipe: chasing lap times, ou seja, caçar tempos de volta.
À medida que a pré-temporada de 2026 se aproxima, o engenheiro-CEO reforça que “privilegiados e honrados” descrevem seu sentimento sobre liderar “um time que venceu mais do que qualquer outro nas últimas duas décadas”. O foco imediato, porém, permanece em terminar 2025 “com confiança nos métodos” — conhecimento que pretende levar para o projeto do novo motor e para todas as rotinas corporativas.
No fim, Mekies acredita que a soma de micro‐ganhos criada nos escritórios pode refletir no cronômetro da pista. “Se ganhamos frações de segundo em cada processo, transformamos a forma como competimos”, concluiu.
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Crédito da imagem: TechCrunch
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