Repressão em Chicago afasta entregadores de e-bikes

Repressão em Chicago a operações de entrega tomou novos contornos desde agosto, quando o envio de tropas da Guarda Nacional e a intensificação de ações da Imigração e Alfândega (ICE) passaram a interferir no trabalho diário de ciclistas que utilizam e-bikes. A Whizz, startup que aluga esse tipo de bicicleta para entregadores, afirma ter registrado queda de 8% em sua base de clientes na cidade nas últimas semanas.
A cifra contrasta com o ritmo de expansão observado no início do verão norte-americano. Entre março e o fim de julho, a empresa saiu de zero para aproximadamente 300 bikes circulando pelas ruas de Chicago, segundo o cofundador Mike Peregudov. O executivo relatou que o medo de abordagens por agentes federais, amplificado pela circulação de vídeos virais mostrando perseguições, é hoje o principal obstáculo para novos cadastros.
Repressão em Chicago afasta entregadores de e-bikes
Em publicação no LinkedIn, Peregudov exemplificou o cenário com imagens nas quais um entregador, empurrando sua e-bike em uma ponte, foge de agentes armados e mascarados. Para o empreendedor, a cena sintetiza a tensão descrita pelos próprios trabalhadores desde que a presença militar foi reforçada. “Tornou-se muito mais difícil completar um pedido de comida na cidade”, escreveu.
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A Whizz não emprega diretamente os entregadores; o serviço limita-se ao aluguel dos veículos a quem apresentar documento de identidade, número de seguridade social e cartão de crédito. Ainda assim, o receio de ser detido — mesmo entre cidadãos e residentes permanentes legais — tem resultado em dezenas de devoluções de bicicletas no escritório local. “Quando ocorre uma batida, a pessoa pode ficar detida por até duas semanas. Se depois descobrem que ela está legalizada, já perdeu esse período de trabalho”, explicou Peregudov.
Embora outras cidades onde a Whizz opera — Nova York, San Francisco, Filadélfia e Washington, D.C. — também registrem operações de imigração, apenas Chicago e a capital federal receberam contingentes significativos da Guarda Nacional. A companhia observa efeitos opostos nos dois mercados: enquanto Chicago retraiu, Washington apresentou crescimento. O empresário atribui o desempenho positivo em D.C. ao foco das autoridades em motonetas a gasolina sem licença, o que teria levado mais entregadores a migrar para e-bikes, atualmente menos regulamentadas.
Para analistas do setor, a retração de Chicago indica como políticas de segurança podem impactar não apenas trabalhadores sem documentação, mas toda a cadeia de logística urbana. Relatório recente do The New York Times aponta que ações ostensivas do Departamento de Segurança Interna vêm afetando trabalhadores legalizados, gerando efeitos colaterais na economia local, como atrasos em entregas e perda de renda familiar.
Fundada com a missão de oferecer bicicletas elétricas seguras e acessíveis, a Whizz enxerga na nova conjuntura um desafio para manter a expansão planejada para 2025. A empresa esperava dobrar sua frota em Chicago até dezembro, mas reviu as metas após o recuo. “Neste momento, a prioridade é garantir aos entregadores que nossos pontos de retirada continuam operando e que faremos todo o possível para apoiá-los se forem parados”, declarou Peregudov, ele próprio imigrante nos Estados Unidos via visto de talento.
Imagem: Internet
Segundo o empreendedor, a companhia monitora diariamente dados de uso da frota para avaliar eventuais demissões em massa de aplicativos de entrega ou aumento nas devoluções de bicicletas. A experiência em Chicago servirá de base para decisões de expansão em outras localidades que possam enfrentar contextos semelhantes.
Autoridades municipais não comentaram oficialmente o impacto econômico das operações federais, mas grupos de defesa de imigrantes pressionam por garantias de que os trabalhadores de entrega não sejam alvo. Empresas de aplicativo também têm redobrado esforços para fornecer canais de orientação jurídica aos colaboradores.
Em meio à incerteza, Peregudov reforça que a Whizz continuará apostando na mobilidade elétrica como solução para quem depende das ruas para sobreviver. “Nossos dados mostram que, quando o ambiente é menos hostil, a demanda por e-bikes cresce de forma consistente”, afirmou.
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Crédito da imagem: TechCrunch
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