Rizzbot bloqueia repórter após atraso em entrevista

"Rizzbot bloqueia repórter após atraso em entrevista"Rizzbot, o robô humanoide que soma mais de 1 milhão de seguidores no TikTok e meio milhão no Instagram, transformou uma simples troca de mensagens em um caso inusitado: após a repórter atrasar o envio de perguntas, recebeu como resposta apenas uma foto do robô mostrando o dedo do meio.

O episódio, ocorrido por volta das 4h da manhã de uma quinta-feira, surpreendeu pela frieza: não houve texto, contexto ou justificativa, apenas o gesto ofensivo. A jornalista havia combinado de encaminhar as perguntas na segunda ou terça-feira anteriores, mas não cumpriu o prazo. Quando finalmente se preparava para enviar o material, deparou-se com o bloqueio no Instagram.

Rizzbot bloqueia repórter após atraso em entrevista

Conhecido por desfilar pelas ruas de Austin com tênis Nike e chapéu de caubói, Rizzbot mistura humor, provocação e dança. O nome deriva do termo “rizz”, gíria da Geração Z para carisma. Diferentemente da desconfiança que humanoides costumam gerar — desde preocupações com privacidade até medo de substituição de empregos —, o robô ganhou fama justamente por tornar a interação mais leve, chegando a 45 milhões de visualizações em suas publicações.

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A repórter envolvida relatou que, depois da foto ofensiva, tentou se desculpar e prometeu enviar as perguntas no horário comercial. Horas depois, descobriu que seu perfil estava marcado como “usuário não encontrado” — sinal claro de bloqueio. Colegas de trabalho acharam a situação cômica, mas o episódio levantou dúvidas: quem, afinal, controla o perfil de Rizzbot e decide essas atitudes?

Informações públicas apontam que o robô é, na verdade, um modelo Unitree G1, vendido entre US$ 16 mil e US$ 70 mil. O treinamento inicial, focado em dança e movimentação, foi conduzido por Kyle Morgenstein, doutorando no laboratório de robótica da Universidade do Texas, em Austin. Ainda assim, a identidade do verdadeiro proprietário permanece anônima; sabe-se apenas que seria um youtuber e bioquímico interessado em entretenimento.

Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que grande parte do comportamento do robô é pré-programada, mas a operação ocorre por controle remoto. Uma hipótese frequente é a combinação de captura de imagem, uso de modelos de linguagem como ChatGPT para gerar respostas e, em seguida, conversão do texto em voz para interagir com o público. Esse caminho tecnológico permitiria que o robô “flertasse” ou “esculachasse” quem se aproxima — tudo em tempo real.

A TechCrunch, site que primeiro noticiou o caso, destacou que a conta enviou à colega da jornalista uma mensagem automática de “falta de memória de GPU” logo após repetir o mesmo gesto obsceno. O detalhe sugere que um agente de IA pode estar gerenciando as DMs, bloqueios e respostas padrão, levantando a pergunta: até que ponto há intervenção humana? Em um artigo de análise, o professor Malte F. Jung, da Cornell University, comparou o Rizzbot a um “fantoche de rua” moderno, onde o espetáculo é justamente inverter a lógica de abuso contra robôs e fazer com que eles provoquem as pessoas (TechCrunch).

Nas redes, o conteúdo do robô vai de perseguições simuladas a quedas cômicas, além de vídeos manipulados por IA em que um carro atropela o humanoide. Para alguns usuários, trata-se de um alívio cômico em meio ao excesso de conteúdo negativo online; para outros, reforça o “brain rot” — humor absurdo típico de plataformas como TikTok.

Dima Gazda, fundador da Esper Bionics, prevê que robôs se tornem “entretenedores de massa” — cantores, dançarinos e até comediantes, relegando humanos a nichos de alta especialização. Já Jen Apicella, diretora-executiva da Pittsburgh Robotics Network, avalia que, por ora, a produção em escala de robôs dançantes ainda é cara e complexa, o que limita episódios como o de Rizzbot a fenômenos isolados.

O incidente também ilustra um dilema contemporâneo: quando um bloqueio acontece, é culpa de um humano ou de uma linha de código? Pequenos detalhes indicam participação humana — erros de digitação em mensagens antigas, por exemplo —, mas a automação crescente pode ter definido regras de bloqueio automático, disparadas quando alguém envia DMs fora do horário comum.

Enquanto isso, a repórter segue sem resposta e sem acesso ao perfil que pesquisava. Embora encare o fato com humor, confessa ter sentido frustração ao perder horas de pesquisa para uma história que pode nunca ser publicada diretamente pela fonte. “Entrei em clima de luto. Virei a garota bloqueada por um robô dançarino”, admitiu.

Passada uma semana, ela ainda acompanha, de fora, os novos vídeos de Rizzbot. O favorito mostra uma mulher dançando twerk sobre o robô, cercada por curiosos que disputam atenção. O episódio reforça que, se o objetivo era gerar engajamento, o robô conseguiu: cada polêmica aumenta sua audiência.

No limite, o caso sugere que, antes de uma eventual revolução das máquinas, o entretenimento será o principal campo de testes para humanoides. E se um simples atraso em mensagens já resulta em “treta” virtual, talvez seja hora de repensar a etiqueta digital — inclusive com robôs.

Para continuar informado sobre as tendências que moldam o relacionamento entre humanos e tecnologia, confira nossa cobertura especial em Tecnologia e Inovação e descubra como a IA já impacta o marketing digital. Até lá, fique atento: o próximo bloco pode vir de uma máquina.

Crédito da imagem: TechCrunch

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