Rocket.new levanta US$ 15 mi com Salesforce e Accel

Rocket.new levanta US$ 15 mi com Salesforce e Accel, reforçando a corrida global por plataformas que transformam comandos em linguagem natural em aplicativos completos e prontos para produção.
Fundada há apenas 16 semanas em Surat, cidade indiana mais conhecida pelos diamantes do que pela tecnologia, a startup arrecadou US$ 15 milhões em uma rodada seed integralmente em ações. O aporte foi liderado pela Salesforce Ventures, com participação da Accel e da Together Fund, três meses após o lançamento em beta, ocorrido em junho.
Rocket.new levanta US$ 15 mi com Salesforce e Accel
Desde a estreia, a plataforma ultrapassou 400 mil usuários em 180 países, dos quais mais de 10 mil assinam planos pagos. O desempenho inicial resultou em receita recorrente anual (ARR) de US$ 4,5 milhões. Segundo o cofundador e CEO Vishal Virani, a meta é atingir entre US$ 20 milhões e US$ 25 milhões até dezembro e chegar a US$ 60–70 milhões em junho do próximo ano.
Meta é ir além do “dia um” e automatizar o “dia dois”
Virani, ao lado de Rahul Shingala e Deepak Dhanak, pivotou a operação anterior — a DhiWise, focada em fluxos de trabalho para desenvolvedores — para criar o que chama de “primeira plataforma de vibe solution”. O objetivo não é apenas gerar código com inteligência artificial, mas também automatizar tarefas de pesquisa competitiva, desenvolvimento de produto e escalabilidade, dispensando inclusive a figura tradicional do product manager.
Combinando modelos de linguagem da Anthropic, OpenAI e Gemini, somados a algoritmos proprietários treinados em datasets da DhiWise, a versão 0.3 do Rocket.new já gerou meio milhão de aplicativos. O tempo médio para criar a aplicação inicial é de 25 minutos — mais lento que rivais como Lovable ou Bolt, capazes de apresentar protótipos em três minutos, mas, segundo a empresa, o processo entrega módulos essenciais prontos para produção.
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Perfil dos usuários e casos de uso predominantes
Cerca de 80 % dos projetos são classificados pela startup como “aplicações sérias”, destinadas a uso comercial. Entre eles, 12 % concentram-se em e-commerce de nicho (mercearia e moda), 10 % em fintechs, 56 % em ferramentas B2B e 45 % em apps de saúde mental. Quanto ao formato, 55 % dos clientes optam por sites e 45 % por aplicativos móveis nativos, muitos migrando da criação inicial em Lovable ou Replit para integrar o backend Supabase ao Rocket.new.
Modelo de negócios baseado em tokens e margem bruta de 55 %
A plataforma oferece teste gratuito limitado a um milhão de tokens; após esse limite, a assinatura parte de US$ 25 mensais para cinco milhões de tokens. O modelo, afirma Virani, afasta hobbistas e sustenta margem bruta de 50–55 %, com expectativa de elevar o índice a 60–70 % em poucos meses.
Os Estados Unidos respondem por 26 % da receita, seguidos pela Europa (15–20 %) e pela própria Índia (10 %). Para atender melhor o principal mercado, a empresa abrirá sede em Palo Alto, na Califórnia. A operação local, no entanto, segue baseada em Surat, onde 58 colaboradores atuam; o quadro de engenharia e produto deve dobrar em 12 meses.
Financiamento impulsiona expansão global
Segundo Kartik Gupta, investidor da Salesforce Ventures, o capital foi destinado a preencher “o vácuo entre a magia da geração de código por IA e a entrega de software pronto para produção em escala corporativa”. A injeção de recursos será usada para aprimorar o playbook de go-to-market, aprofundar a presença em mercados estratégicos e acelerar pesquisa e desenvolvimento de modelos proprietários.
A tração inicial da Rocket.new foi orgânica, impulsionada por indicações e publicações virais em redes sociais. Com o novo aporte, a startup quer profissionalizar a aquisição de clientes e ganhar fôlego para enfrentar concorrentes de vibe-coding que vêm crescendo rapidamente.

Imagem: Internet
Detalhes sobre a rodada podem ser conferidos na cobertura da TechCrunch, que destacou o crescimento acelerado da companhia e seu diferencial focado em aplicações de produção — não meros protótipos.
Analistas observam que o desafio principal será manter a vantagem tecnológica diante de players que também combinam modelos de linguagem avançados e prometem gerar código em poucos cliques. Por outro lado, o foco em empresas que necessitam de manutenção, iteração e escalabilidade pode diferenciar a Rocket.new em um mercado que valoriza maturidade de entrega.
No cenário de inteligência artificial aplicada ao desenvolvimento de software, a empresa indiana exemplifica como hubs fora dos grandes centros de tecnologia conseguem atrair investimento global ao mostrar métricas sólidas de adoção e receita.
Para quem acompanha o setor, vale monitorar os próximos passos: a evolução ao “versão 1.0”, a expansão da base de desenvolvedores e o avanço das margens brutas indicarão se a promessa de automatizar todo o ciclo de vida de produto com prompts de linguagem natural é sustentável.
Em meio à corrida das big techs e dos estúdios de IA, a disputa por quem entrega mais valor ao desenvolvedor — seja em velocidade, seja em completude — deve definir os futuros vencedores do vibe-coding.
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Crédito da imagem: Rocket.new
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