Roelof Botha alerta sobre riscos de valuations altos

Roelof Botha, sócio da Sequoia Capital e guardião global da tradicional firma do Vale do Silício, fez um alerta direto a fundadores de startups: valuations que sobem rápido demais podem cair na mesma velocidade, destruindo moral e capital.

Durante o TechCrunch Disrupt, em San Francisco, Botha afirmou que equipes que veem “fortunas de papel” evaporarem ficam mais desmotivadas do que imaginam, lembrando o caso de uma investida que saltou de US$ 150 milhões para US$ 6 bilhões em 2021 e depois regressou à realidade.

Índice
  1. Roelof Botha alerta sobre riscos de valuations altos
  2. Governos no cap table e o efeito Icarus
  3. Estratégia seletiva: poucos ovos, muita atenção
  4. Decisões por consenso e risco calculado
  5. “Venture capital não é classe de ativo para todos”

Roelof Botha alerta sobre riscos de valuations altos

Segundo o investidor, o cenário atual lembra o “circo” de financiamentos da pandemia. Ele evitou a palavra “bolha”, mas descreveu o momento como “período de aceleração incrível”, no qual dinheiro abundante pode induzir decisões precipitadas. Para quem lidera empresas de alto crescimento, a recomendação foi binária: se o caixa cobre 12 meses, concentre-se em construir; se restam apenas seis meses de fôlego, aproveite a liquidez enquanto ela existe, pois o mercado pode azedar depressa.

Governos no cap table e o efeito Icarus

Botha, que se define “meio libertário”, também demonstrou desconforto com a entrada direta do governo dos EUA em participações acionárias, um movimento recente que ele vê como consequência da competição com potências como a China. “Quando alguém diz ‘sou do governo e estou aqui para ajudar’, levanto a sobrancelha”, brincou, arrancando risos da plateia.

Para ilustrar o perigo de voar alto demais, o executivo recorreu à mitologia: “Li em latim a história de Dédalo e Ícaro. Se você voa muito rápido e muito perto do sol, suas asas derretem”. Na tradução para o universo de venture capital, a metáfora reforça que captações bilionárias podem criar expectativas inalcançáveis.

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Estratégia seletiva: poucos ovos, muita atenção

Apesar de ter estruturado fundos que permitem manter ações de empresas públicas por mais tempo desde 2021, a Sequoia continua focada em estágios iniciais. Nos últimos 12 meses, foram 20 investimentos seed, nove deles na própria constituição da companhia. “Somos mais mamíferos que répteis”, comparou Botha. “Não colocamos 100 ovos para ver o que acontece; cuidamos de uma ninhada pequena”.

A seletividade se reflete nos novos veículos anunciados no evento: fundos seed e venture que adicionam US$ 950 milhões à munição da gestora, valores equivalentes aos de seis ou sete anos atrás, sinalizando disciplina mesmo em tempos de capital farto.

Decisões por consenso e risco calculado

Um dos diferenciais, segundo Botha, é o processo interno: toda segunda-feira, os partners respondem a uma pesquisa anônima sobre os projetos em pauta; votos têm peso igual, independentemente de senioridade. “Conversas paralelas são proibidas. O último que você quer são alianças dentro da sala”, contou. A prática, embora teste a paciência — ele já gastou seis meses defendendo um único aporte —, tenta assegurar decisões de alta qualidade.

Mesmo com histórico de acertos em Apple, Google, Nvidia e Palo Alto Networks, a Sequoia admite falhas: “Em 50 % das vezes não recuperamos o capital em seed ou venture”, revelou o gestor, lembrando ter chorado numa reunião após seu primeiro write-off. “Mas é parte do caminho para encontrar outliers”.

“Venture capital não é classe de ativo para todos”

Provocador, Botha argumentou que o setor só supera um fundo de índice se forem isoladas cerca de 20 firmas topo de linha — o restante, na média, ficaria atrás do mercado. Nos Estados Unidos existem hoje cerca de 3 000 firmas de venture, três vezes mais do que quando ele se juntou à Sequoia. “Colocar mais dinheiro em Silicon Valley não gera mais grandes companhias; dilui o potencial”, avaliou.

Para quem busca capital, o recado é claro: pense no longo prazo, não apenas na rodada atual. Fundadores que evitam a “síndrome de Ícaro” têm mais chances de preservar a cultura e o controle da trajetória, concluiu.

Dados recentes de relatório da Bloomberg reforçam a tese de que valuations exagerados estão sendo corrigidos em diversos setores, especialmente tecnologia da saúde e fintechs.

Em síntese, a combinação de cautela, foco em fundamentos e governança rígida permanece a cartilha de Roelof Botha para atravessar um mercado aquecido, porém volátil. Startups que resistirem à tentação de subir “muito rápido, muito alto” podem, no futuro, colher resultados mais sólidos.

Para seguir aprendendo sobre captação e estratégia de crescimento, confira nosso guia completo em Estratégias de Marketing e acompanhe as próximas análises. Boa leitura e até a próxima!

Crédito da imagem: TechCrunch/Divulgação

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