Sila inaugura fábrica de ânodos de silício nos EUA

Sila inaugura fábrica de ânodos de silício em Moses Lake, Washington, marcando a primeira unidade em escala automotiva desse material no Ocidente. A planta, que começou a operar nesta terça-feira, já nasce capaz de produzir volume suficiente para equipar entre 20 mil e 50 mil veículos elétricos (EVs) por ano, com planos de expansão que podem chegar a 2,5 milhões de unidades atendidas.
O movimento posiciona a startup norte-americana, fundada há 14 anos, como protagonista na corrida global por baterias mais densas em energia. Se confirmadas as projeções, os ânodos de silício poderão elevar a capacidade das baterias de íons de lítio em até 50% em comparação aos ânodos de grafite hoje dominantes.
Sila inaugura fábrica de ânodos de silício nos EUA
Ao comentar a inauguração, o cofundador e CEO Gene Berdichevsky lembrou que “quando se inventa algo novo, é muito mais fácil produzir onde se inventou”. A Sila mantém contratos de fornecimento de material para Panasonic e Mercedes-Benz, mas também atende fabricantes de drones, satélites e eletrônicos de consumo.
------------------- Continua após a publioidade ---------------
Além do ganho em densidade energética, os ânodos de silício tendem a reduzir o custo total do acumulador. Berdichevsky afirma que, em alguns anos, as baterias fabricadas com a tecnologia da Sila deverão ser mais baratas do que as que utilizam grafite proveniente de fornecedores ocidentais, mantendo desempenho equivalente e oferecendo tempos de recarga mais rápidos.
O setor, contudo, já atrai outros concorrentes. A Group14 opera na mesma cidade de Moses Lake, produzindo seu composto em parceria com a sul-coreana SK Innovation, enquanto a Amprius fabrica em menor escala nos Estados Unidos e em gigawatt-hora com parceiros na China. Ainda assim, Berdichevsky destaca que a unidade da Sila é “a primeira fábrica de ânodos de silício em escala automotiva no país”, construída ao longo de quase dois anos e financiada, em parte, pelos US$ 375 milhões captados em 2023.
A escolha de Washington não foi casual. A região oferece energia hidrelétrica de baixo custo — um insumo crucial para o processo produtivo —, vastas áreas disponíveis para instalação industrial e a proximidade de fornecedores de matérias-primas estratégicas. “A estrutura de custos depende de energia barata e de precursores essenciais, e encontramos tudo isso aqui”, explicou o executivo.
Os primeiros lotes saídos da linha de Moses Lake servirão para demonstrar consistência em relação às amostras fabricadas no centro de P&D de Alameda, Califórnia. Segundo a empresa, a validação é passo determinante para que parceiras como a Mercedes integrem o novo material a plataformas de próxima geração.
Imagem: Internet
Outro benefício apontado pela Sila é a possibilidade de reduzir a quantidade de metais caros, como níquel, sem sacrificar autonomia. “Agora você mantém o mesmo desempenho, ganha recarga rápida, assegura fornecimento doméstico e diminui o custo”, resume Berdichevsky. Diante da expectativa de que as montadoras ocidentais vendam majoritariamente EVs em até 15 anos, a companhia já planeja diferentes sites de produção nos Estados Unidos.
A longo prazo, a expansão deve alcançar Europa e Ásia, mas o foco inicial segue no mercado interno. “Como país, se não fabricarmos coisas, de onde virá nosso orgulho?”, provocou o CEO, nascido na Ucrânia, reforçando a importância de manter a cadeia produtiva em território norte-americano.
Estimativas do Departamento de Energia dos Estados Unidos apontam que a demanda por baterias de alta performance deve crescer exponencialmente na próxima década, cenário que pode impulsionar a adoção de ânodos de silício e consolidar a vantagem competitiva de quem dominar a tecnologia.
Para acompanhar outras inovações que estão transformando a indústria, confira nosso guia completo de estratégias de marketing digital e siga navegando pela editoria de Tecnologia.
Crédito da imagem: Sila
Deixe um comentário

Artigos Relacionados