Anode: startup de baterias capta US$ 9 mi e renasce

Startup de baterias Anode emerge no cenário de tecnologia climática menos de 18 meses após o colapso da Moxion Power, empresa antecessora que buscava substituir geradores a diesel em obras e eventos. A nova companhia, fundada pelo ex-CEO da Moxion, Paul Huelskamp, garante ter aprendido com os erros do passado e já assegurou US$ 9 milhões em rodada seed liderada pela Eclipse.
A proposta da startup de baterias Anode é fornecer unidades móveis de armazenamento de energia capazes de alimentar frotas de veículos elétricos, canteiros de obras e festivais sem recorrer a combustíveis fósseis. O investidor-líder Jiten Behl, ex-diretor de crescimento da Rivian, viu na experiência prévia de Huelskamp um diferencial para mitigar riscos e acelerar o desenvolvimento.
Anode: startup de baterias capta US$ 9 mi e renasce
Em entrevista ao TechCrunch, Huelskamp afirmou que o objetivo é “concluir o que começamos” com a Moxion, mas adotando um modelo operacional mais enxuto. Enquanto a antiga empresa tentou fabricar tudo internamente — caminho que contribuiu para sua falência e a demissão de mais de 400 funcionários — a Anode terceirizará a produção a parceiros especializados. “É muito difícil para uma startup assumir toda a cadeia de manufatura”, reconheceu.
Aprendizados da Moxion moldam estratégia enxuta
A Moxion havia arrecadado mais de US$ 110 milhões, mas não resistiu ao chamado “vale da morte” entre protótipo e escala industrial. Para evitar repetir o desfecho, a Anode estabeleceu três pilares: fabricação terceirizada, foco na redução do custo de energia entregue e design compacto. A primeira bateria móvel da companhia terá capacidade inferior às 600 kWh do modelo da Moxion, porém ocupará menos espaço, permitindo o transporte de múltiplas unidades num único caminhão-plataforma.
Segundo Huelskamp, o tamanho reduzido pode parecer contraintuitivo, mas otimiza logística e custo final. “Quanto mais energia caber em um caminhão, menos viagens, motoristas e tarifas de frete precisamos pagar”, explicou. A empresa também desenvolveu um inversor próprio, adaptado às demandas de recarga de veículos elétricos e alimentação de equipamentos em obras e shows.
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Mercado de recarga: demanda além dos veículos
O interesse de Behl nasceu durante sua passagem pela Rivian, quando percebeu que a limitação não era o preço das vans elétricas, mas sim a infraestrutura de recarga. “Para carregar 150 vans, é preciso praticamente uma miniusina, e essa estrutura não existe nos depósitos”, disse o investidor. O problema força frotas a recorrer a geradores a diesel, solução adotada inclusive pela Waymo em San Francisco. A Anode pretende oferecer independência da rede elétrica, fornecendo energia limpa onde ela não chega ou é instável.
Relatório da International Energy Agency indica que a eletrificação de frotas depende de soluções flexíveis de armazenamento, reforçando a oportunidade para players como a Anode. Concorrentes diretos, como SparkCharge e Power Sonic, também apostam em baterias móveis, mas Huelskamp sustenta que o hardware integrado da Anode garante maior eficiência e menor custo por quilowatt-hora entregue.
Redução de custos apoiada por IA
A startup de baterias Anode promete usar inteligência artificial para otimizar logística, pontos de recarga e rotas de entrega. O sistema analisará variáveis como horário de menor tarifa na rede, demanda de clientes e disponibilidade de motoristas, ajustando o carregamento para minimizar despesas. Hoje, a empresa afirma ser capaz de carregar suas baterias por US$ 0,03 a US$ 0,05 por kWh, enquanto geradores a diesel podem custar vários dólares pelo mesmo montante de energia.
À medida que as operações escalarem e os preços de células de íons-lítio continuarem caindo, Huelskamp acredita que o custo final para o cliente se aproximará da tarifa da rede elétrica em horário comercial — e, futuramente, poderá competir até com o preço reduzido do período de baixa demanda.
Imagem: Getty
Próximos passos e metas de expansão
Com o capital recém-levantado, a Anode pretende finalizar os protótipos comerciais, firmar contratos com fabricantes terceirizados e iniciar projetos-piloto com empresas de construção, promotores de eventos e operadores de frotas elétricas. A meta é lançar as primeiras unidades em 2025, mesmo ano em que pretende ampliar o time de engenharia e operações, hoje formado majoritariamente por ex-funcionários da Moxion.
Outra prioridade é obter certificações de segurança e conformidade ambiental, fundamentais para competir em licitações públicas e atender multinacionais que buscam reduzir emissões de carbono. “A transição energética passa por substituir o diesel onde ele é mais ineficiente”, resumiu Huelskamp.
No longo prazo, a startup de baterias Anode vislumbra a integração de seus sistemas a microrredes e projetos de armazenamento distribuído, ampliando fontes de receita além do aluguel de baterias. Contudo, Huelskamp reforça que, por ora, o foco permanece em aplicações móveis, mercado já estimado em bilhões de dólares anuais.
Para os analistas, a combinação de experiência prévia, capital semente robusto e demanda crescente por soluções livres de diesel pode colocar a Anode em posição competitiva. Resta saber se a empresa conseguirá equilibrar crescimento acelerado e disciplina financeira — lição aprendida à custa da falência da Moxion.
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Crédito da imagem: TechCrunch
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